Estrada de Memba – um martírio sem fim à vista

Estrada de Memba – um martírio sem fim à vista

Promessas de reabilitação multiplicam-se, mas a população continua a enfrentar buracos, pontes destruídas e isolamento sempre que chega a época chuvosa.

Os utentes da estrada que liga os distritos de Memba e Nacala-Porto, na província de Nampula, continuam a queixar-se do avançado estado de degradação dela, situação que tem provocado a danificação dos meios de transporte utilizados para o escoamento de pessoas e bens.

A denúncia foi feita esta segunda-feira (16) por Assate Aja, delegada do Espaço Seguro de Mulheres e Raparigas em Memba, à margem de uma mesa-redonda promovida pelo Instituto para a Democracia Multipartidária.

Segundo a fonte, embora a região disponha de recursos mineiros, como o ouro, estes não têm sido devidamente explorados devido à precariedade da via, que se estende por cerca de 85 quilómetros.

Num tom crítico, a activista questionou se os responsáveis da Administração Nacional de Estradas (ANE) já teriam experimentado as dificuldades vividas pela população local. “Será que, depois da guerra dos 16 anos, algum delegado da ANE já viajou nesta estrada e enfrentou os mesmos constrangimentos que nós, moradores desta região?”, lançou.

A mesma fonte lembrou ainda que, no passado, máquinas de manutenção passavam na estrada de três em três meses. No entanto, nos últimos anos, essa prática cessou, agravando os problemas sobretudo durante a época chuvosa.

De acordo com Assate Aja, a situação torna-se particularmente grave nas pontes de Mahita e Napazo, que ficaram ainda mais fragilizadas após a passagem dos três ciclones que recentemente afectaram a província.

Apesar disso, a população ouve apenas rumores de que as obras de reabilitação poderão iniciar em Novembro, quando já estará iminente a época das chuvas. “Enquanto isso, a população sofre e continua sem alternativas”, acrescentou.

Por fim, em nome dos residentes de Memba, a activista apelou ao Governo para dar prioridade à reabilitação da via. Sublinhou que a estrada é essencial para o escoamento de produtos agrícolas, como a batata-doce, e para o abastecimento de mercadorias provenientes de Nacala-Porto, de onde os comerciantes locais dependem.

“Quando chegam as chuvas e as estradas ficam intransitáveis, não é apenas Memba que sofre, mas também os distritos vizinhos, como Nacala-Porto, que ficam privados deste intercâmbio comercial”, concluiu.