A província de Nampula está a registar o ressurgimento da lepra, doença contagiosa que se manifesta pela deformação da pele, numa altura em que o Ministério da Saúde havia garantido ter erradicado a enfermidade no biénio 2007/2008.
Dados em nossa posse dão conta de que a doença está a registar-se um pouco por todos os 23 distritos da província, sendo os distritos de Mogovolas, Nampula e Murrupula os que mais casos notificaram.
O sector da Saúde em Nampula indica que, em 2025, foram diagnosticados 1.329 casos, contra 1.297 notificados no ano anterior.
O chefe do Departamento de Saúde Pública, na Direcção Provincial de Saúde em Nampula, Jaime Miguel, fez esta revelação ontem, quarta-feira, no contexto da comemoração do Dia Mundial da Luta contra as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN’s), nomeadamente a Filaríase Linfática, vulgarmente conhecida por elefantíase, a esquistossomose, vulgarmente conhecida por bilharziose, parasitoses intestinais, sarna, tungíase, lepra, cercose, entre outras.
A fonte explicou que existem quatro pilares que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu, com vista a controlar as DTN’s, entre eles a quimioprevenção, através da distribuição de medicamentos em campanhas massivas, a busca activa de presumíveis casos para o devido tratamento, o corte da cadeia de transmissão e o controlo vectorial, através da distribuição massiva de redes mosquiteiras.
“Nós temos feito campanhas de tracoma, filaríase linfática, bem como de distribuição de medicamentos para desparasitação. Aquela rede mosquiteira que a gente usa nas nossas casas não só protege contra a malária, mas também contra a filaríase, criada por um mosquito parecido com aquele da malária, mas que, para os nossos olhos, não há diferença nenhuma”, explicou Miguel.
Para o caso de tracoma, a fonte detalhou que o sector da Saúde tem realizado campanhas de cirurgia, incluindo para a doença de hidrocele, com vista a minimizar o sofrimento da população.
“Esta doença, muitas das vezes, aparece em países pobres, onde o saneamento do meio e o abastecimento de água não são feitos de forma regular e equitativa”, acrescentou.
Recordou que, na altura da eclosão da Covid-19, não houve no país nenhum caso de cólera, nem aumento da doença de diarreia e conjuntivite, devido à melhoria da higiene individual e colectiva, do saneamento do meio e da disponibilidade de água potável.
Pediu o envolvimento multissectorial, com vista ao controlo de qualquer tipo de problema que tem a ver com a saúde pública, porque, segundo ele, o sector da Saúde tem apenas de notificar, diagnosticar e, a posteriori, fazer o manejo dos casos, no que diz respeito ao tratamento, assim como difundir informações para medidas de prevenção. “Quem deve fazer campanhas para a melhoria do saneamento do meio, acho eu, que não é o sector da Saúde. Quem deve disponibilizar água de qualidade para a população não é a Saúde. Quem deve desencorajar as comunidades a não coabitarem no mesmo local com cabritos, gado bovino, galinhas e outros animais não é o sector da Saúde. Nós temos visto, quando estamos a fazer trabalho de campo, que, por conta da insegurança ao nível das comunidades, grande parte das famílias acaba levando o cabrito para pernoitar com eles dentro de casa. Quando são cinco horas, tiram o cabrito para a sala. Muitas doenças zoonóticas são transmitidas de animais para os homens”, alertou o nosso interlocutor.
