Nacala continua a enfrentar crise de água potável

Nacala continua a enfrentar crise de água potável

Alguns bairros da cidade de Nacala, na província de Nampula, continuam a enfrentar uma crise de água potável, numa altura em que a região está a braços com o surto de cólera. Os bairros de Ontupaia, Bloco 1 e Triângulo são apontados como os mais afectados.

Os residentes dessas comunidades são obrigados a recorrer a fontes alternativas para obter o precioso líquido, mesmo que isso represente risco à saúde pública. Aliás, é exactamente nesses bairros onde o sector da saúde está a registar o aumento de casos de cólera.

O médico-chefe do distrito de Nacala, Julfrique Bila, fez saber que o Centro de Tratamento de Cólera recebeu um total cumulativo de 1.579 casos, dos quais 696 resultaram em internamentos e 883 foram atendidos em regime ambulatório. Nas últimas 24 horas foram registados 12 óbitos, sendo dez ao nível das comunidades e dois no hospital.

De acordo com Bila, a tendência é de redução de novos casos. Quando a cólera eclodiu, o distrito registava 45 entradas por dia, mas actualmente a média diária baixou para 19 novos casos.

Estes dados foram tornados públicos durante a sessão do Comité Operativo de Emergência (COE). Na ocasião, o director dos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas de Nacala, Malinde Abudo, afirmou que a água captada a partir da Barragem de Nacala não oferece segurança para o consumo humano sem tratamento adequado.

Segundo Malinde, os bairros de Ontupaia e Mathapue apresentam elevados casos de cólera devido à falta de água potável e ao tratamento inadequado do lixo. Entretanto, a edilidade deposita resíduos sólidos no bairro de Mathapue, situação que agrava as preocupações.

“Sabemos que o nosso município ainda não está bem organizado em termos de tratamento das lixeiras. É necessário um reforço institucional em matérias de controlo de resíduos sólidos”, afirmou Malinde.

A população de Ontupaia deveria beneficiar do fornecimento de água através de camião-cisterna, mas o distrito não dispõe deste tipo de viatura. Além disso, a rede pública de distribuição não é suficientemente abrangente.

A representante da empresa Águas da Região Norte (AdRN) ao nível de Nacala-Porto, Nélia Chambisse, explicou que a crise de abastecimento está relacionada com o período chuvoso, durante o qual a erosão dos solos provocou o arrastamento de tubagens. Garantiu, contudo, que decorrem trabalhos de reposição nas comunidades afectadas.

“Não posso aceitar que toda a cidade de Nacala tenha problemas de abastecimento de água. Temos conhecimento de dificuldades na zona alta de Ontupaia, na zona baixa de Mathapue e numa parte do bairro Bloco 1. Existem bairros que recebem água 24 horas por dia. A zona localizada atrás da Escola Secundária de Nacala, no bairro de Mocone, não está a receber água devido ao arrastamento de tubagens pela corrente das águas, mas os técnicos estão a trabalhar para restabelecer o fornecimento”, acrescentou.

A crise de água ocorre numa altura em que as autoridades intensificam acções de sensibilização para a observância das medidas de higiene individual e colectiva. Contudo, a ausência de acesso regular à água potável compromete esses esforços e coloca em causa a eficácia das medidas de prevenção.