Funcionários do município de Nacala paralisam actividades

Funcionários do município de Nacala paralisam actividades

Os cerca de 600 funcionários da autarquia de Nacala-Porto, em Nampula, iniciaram, esta segunda-feira, uma paralisação das suas actividades em reivindicação de três meses de salários em atraso, implementação da Tabela Salarial Única, canalização de descontos ao sector das Finanças para efeitos de aposentação e outras situações de natureza laboral.

Todas as exigências da massa laboral já foram discutidas em várias ocasiões, envolvendo os trabalhadores e os membros do Executivo municipal. Contudo, a alegada falta de comunicação por parte da edilidade levou a uma tentativa de manifestação que, no entanto, culminou com a detenção dos queixosos.

As autoridades que administram a justiça ao nível de Nacala concluíram que eram improcedentes todas as acusações que pesavam sobre a classe dos funcionários. Mesmo assim, as negociações continuaram, no sentido de alcançar consensos em relação aos pontos em reivindicação.

O representante dos trabalhadores, Faustino Loja, disse aos jornalistas que a fome por que estão a passar os seus colegas obrigou ao encerramento das portas, com vista a despertar a sensibilidade do empregador.

Neste momento, as oficinas da edilidade estão trancadas. Nenhuma viatura que faz a recolha de lixo e outras actividades municipais pode circular, uma situação que poderá agravar a degradação do saneamento do meio nos próximos tempos.

Entretanto, depois do encerramento das portas, o Executivo municipal solicitou aos grevistas uma ronda de negociações, onde, de acordo com o vereador do pelouro das Finanças, Amândio Frederico Afito, a edilidade comprometeu-se a atender às exigências dos trabalhadores, sobretudo a questão dos salários até à primeira quinzena de Abril.

No entanto, os trabalhadores foram desafiados a dinamizarem a arrecadação de receitas, através da cobrança de impostos, taxas e outras obrigações fiscais por parte dos contribuintes. Justificou que os atrasos salariais estão a ocorrer porque o município passou muito tempo a depender da canalização de fundos a partir do Tesouro Central.

E, nos últimos tempos, esses desembolsos começaram a falhar, o que tornou insustentável o pagamento de salários.

Por seu turno, o representante dos trabalhadores, Faustino Loja, revelou aos jornalistas que os trabalhadores preferem ceder no sentido de libertar as viaturas para a recolha do lixo da cidade, pois a autarquia está a braços com um surto de cólera.

Mas a suspensão da greve dependia da emissão de um documento oficial que atestasse o compromisso por parte do município, acto que não aconteceu até às 17 horas de ontem, segunda-feira, altura em que as portas continuavam encerradas.