A empresa Kenmare Resources, que explora areias pesadas no distrito de Larde, em Nampula, reportou uma queda drástica dos seus lucros este ano, que passaram de 95,4 milhões de dólares para 18,4 milhões de dólares, o que representa uma quebra de 79 por cento.
Segundo a empresa, o desempenho negativo foi influenciado por uma combinação de factores, incluindo a descida dos preços globais e a redução dos volumes exportados de minerais de titânio. As receitas também acompanharam esta tendência, registando uma queda de cerca de 20%, ao fixarem-se em 312 milhões de dólares.
A empresa aponta ainda para uma diminuição de 13 por cento nas expedições e uma descida de 6 por cento no preço médio de venda, que actualmente ronda os 338 dólares por tonelada, evidenciando a pressão persistente sobre o sector.
Num cenário ainda mais agravado, a mineradora registou um prejuízo líquido de 325 milhões de dólares.
Este resultado foi fortemente condicionado por um ajustamento contabilístico superior a 300 milhões de dólares, associado à reavaliação dos activos da mina de Moma, na província de Nampula.
A revisão reflecte uma actualização das perspectivas de receita futura, num contexto de incerteza quanto à evolução dos preços internacionais.
Ao nível operacional, a empresa está a implementar medidas de contenção, que incluem a redução de cerca de 15 por cento da sua força de trabalho ao nível daquela unidade.
A decisão surge na sequência de cortes já efectuados, que abrangeram aproximadamente 200 trabalhadores, e poderá ser seguida por novas reduções.
O director-executivo, Tom Hickey, justificou estas decisões como uma resposta necessária às condições adversas do mercado, com o objectivo de proteger a estabilidade financeira da empresa e assegurar a continuidade das operações a médio e longo prazo.
Como parte desta estratégia, a Kenmare decidiu suspender o pagamento de dividendo final relativo ao ano passado, algo que não acontecia desde 2019.
Esta medida sinaliza a prioridade dada à preservação de liquidez, numa fase de maior pressão sobre os fluxos de caixa.
Apesar das dificuldades, a empresa mantém uma posição financeira considerada estável, com activos correntes superiores a 150 milhões de dólares e sem maturidades de dívida até 2029.
Ainda assim, admite a possibilidade de renegociar os termos com os credores.
Em paralelo, prosseguem as negociações com o Governo moçambicano para um novo acordo de implementação.
Segundo a empresa, o processo tem sido marcado por divergências em matérias como a aplicação do IVA, tarifas aduaneiras e o aumento de royalties. A empresa não exclui recorrer à arbitragem internacional, embora manifeste preferência por uma solução negociada que evite um contencioso.
