Nacala-Porto: Falta de vagas nas escolas sujeita crianças ao curso nocturno

Nacala-Porto: Falta de vagas nas escolas sujeita crianças ao curso nocturno

Alguns pais e encarregados de educação de alunas, cujas idades variam de 12 a 16 anos, que frequentam aulas no curso nocturno, devido a falta de vagas no período diurno, queixam-se do facto das filhas e educandas, serem vítimas de assédio sexual por parte de alguns colegas mais velhos, que se oferecem a acompanha-las até às suas casas, devido ao medo de assaltos e agressões, por parte de malfeitores.

Alfredo Joaquim, um dos pais que apresentou esta reclamação, disse que a situação coloca as meninas em situação de vulnerabilidade e até à gravidez indesejada, por conta de eventuais violações sexuais.

“Estou muito preocupado em relação a esta situação, aliás, outros pais em situação idêntica da minha, já manifestaram igualmente o seu desconforto”, disse Joaquim.

Olga Cândido, encarregada de educação, contou que só sossega quando a sua educanda chega à casa, embora não sabendo o que eventualmente poderá ter acontecido no percurso de volta à casa.

“Ela já se queixou de ter sido assediada por alguns colegas, para além de professores, a troco de notas”, disse Cândido.

O medo daquela encarregada acentua-se pelo facto de ter tomado conhecimento que uma rapariga, cuja identidade e data não precisou, ter sido vítima de agressão física, quando regressava à casa.

“Fiquei a saber que os agressores se preparavam para a violar sexualmente, não fosse a intervenção de um casal, que chegou no local do crime antes que acontecesse o pior”, contou Candido.

Para os pais e encarregados de educação, o sector da Educação, Juventude e Tecnologias de Nacala-porto devia encontrar formas de acolher as crianças no período diurno, para evitar situações desagradáveis.

O director dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologias de Nacala-porto, Mário Nacotua, explicou que existe o problema de insuficiência de salas de aulas, para acomodar todos os alunos no período diurno.

Nacotua pediu aos pais e encarregados de educação, a disponibilizarem parte do seu tempo, para acompanhar os petizes à escola, para evitar eventuais incidentes.

Para alguns, a reforma curricular que determina o início do ensino secundário, a partir da 7ª classe, veio agravar a problemática da insuficiência de salas de aulas.