Pais e encarregados de educação de alunos do Colégio Yolen, uma instituição privada de ensino primário e secundário recentemente aberta no bairro de Namicopo, arredores da cidade de Nampula, denunciaram, na passada sexta-feira, alegados actos de burla e situações de crueldade protagonizadas pela direcção da escola.
Entre as principais reclamações destacam-se a ausência frequente de professores nas salas de aula, apesar da cobrança de mensalidades fixadas em 850 meticais para o ensino primário e 1.000 meticais para o secundário. Acresce a morosidade na entrega do uniforme, gravata e crachá, apesar de os pais terem pago valores adicionais no acto da inscrição.
Além disso, a direcção deve dois meses de salários ao pessoal de apoio e aos docentes, ao mesmo tempo que acumula uma dívida de três meses de renda — no valor de 115 mil meticais por mês.
Outra denúncia prende-se com o transporte escolar, descrito como estando em más condições mecânicas, com assentos danificados e avarias frequentes, colocando em risco a vida dos alunos.
Geno Agostinho, encarregado de dois alunos da 1.ª e 6.ª classes, disse ter-se sentido enganado.
“Recebemos folhetos de inscrição que prometiam aulas de informática, inglês e francês desde as classes iniciais. Esse foi o motivo que me levou a transferir a minha filha da escola pública. Mas, na prática, não vejo a qualidade prometida”, lamentou, acrescentando que os alunos chegam a ser expulsos das aulas por atrasos no pagamento das mensalidades, enquanto os professores se ausentam dos seus postos.
Também Daniela Mourão, mãe de uma aluna da 1.ª classe, relatou episódios de expulsão por um único dia de atraso na mensalidade e criticou o transporte escolar.
“Não faz sentido uma criança que entra às 6h da manhã só ser levada às 7h e, ao sair às 12h, ter de esperar até às 15h pelo transporte, sem alimentação adequada”, contou.
Os donos do empreendimento arrendado para o decurso das aulas, advertiram que, caso a dívida não seja liquidada, as aulas poderão ser suspensas. Recordou ainda que, recentemente, os professores já haviam paralisado as actividades devido ao atraso nos salários.
Contactada pela nossa reportagem, a direcção do colégio, liderada por Germano, prometeu esclarecer as denúncias até ao fecho desta edição. Contudo, a promessa não foi cumprida.
