Cinco mortos e milhares deslocados após ataques em Memba

Cinco mortos e milhares deslocados após ataques em Memba

Várias pessoas continuam a abandonar o distrito de Memba, em Nampula, devido ao medo e ao pânico gerados pelo recente assassinato bárbaro de cinco indivíduos e pela queima de casas, actos protagonizados por grupos presumivelmente ligados ao terrorismo, que, nos últimos tempos, têm atacado aquela zona, semeando luto e destruição entre a população.

Esta terça-feira, o Secretário de Estado de Nampula, Plácido Pereira, convocou uma sessão extraordinária na qual um dos pontos em destaque foi a insegurança na província, agravada pela confirmada retoma dos ataques terroristas em Memba.

De acordo com o Secretário de Estado, os grupos terroristas realizaram incursões nas localidades administrativas de Mazua, Mubutini e Namajuba nos dias 12, 15 e 17 do mês em curso, bem como em Memba-sede, Jeba e Baixo Pinda, onde foram perpetrados actos de violência contra a população civil, incluindo a destruição de mais de 100 casas, veículos e uma moageira.

Pereira confirmou que, em consequência dos ataques, está em curso um êxodo populacional, com moradores a buscarem refúgio nos distritos de Eráti, Nacarôa, Nacala-à-Velha e Nacala-Porto, entre outras localidades.

Garantiu ainda que o Governo e o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em colaboração com parceiros, deslocaram-se esta terça-feira a Eráti para prestar assistência humanitária às famílias deslocadas.

Acrescentou que, como reflexo da situação, alguns projectos governamentais foram suspensos, nomeadamente a construção de um centro de saúde e de um sistema de abastecimento de água no distrito de Memba, além da interrupção das actividades lectivas.

“As Forças de Defesa e Segurança já estão no terreno. As operações estão em curso e, num curto espaço de tempo, espera-se que seja possível restabelecer a normalidade”, afirmou.

Entretanto, o governador de Nampula, Eduardo Abdula, que esta terça-feira efectuou uma visita de trabalho ao distrito de Memba, referiu que, em consequência da situação, pelo menos 8 mil pessoas procuraram refúgio no posto administrativo de Alua, no distrito de Eráti.

“Este número decorre da situação de insegurança que ainda prevalece no distrito de Memba, concretamente nas zonas de Chipene e Mazua, consideradas as mais críticas”, reconheceu Abdula.

No que diz respeito às crianças, o governador estimou que mais de 300 se encontrem actualmente no posto administrativo de Alua.

O nosso jornal apurou também que os deslocados enfrentam falta de espaços condignos para acomodação, bem como carência de alimentos e água potável.

Sobre a situação, Abdula revelou ter sido identificado um armazém nas imediações que poderá albergar um número considerável de famílias. Quanto à alimentação, informou que três camiões carregados de víveres já estavam a caminho. Relativamente aos exames finais, o governador admitiu que o processo poderá sofrer constrangimentos devido ao agravamento da situação de insegurança. Estima-se que mais de 1.200 alunos, previstos para realizar exames finais, tenham sido afectados.