Violência domestica: Cidália Chauque mobiliza mulheres na Ilha de Moçambique

Violência domestica: Cidália Chauque mobiliza mulheres na Ilha de Moçambique

A Secretária-Geral da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), Cidália Chauque, lançou esta quinta-feira, na cidade da Ilha de Moçambique, um apelo às comunidades e instituições públicas e privadas para reforçarem as acções de combate às uniões prematuras e à violência doméstica.

O pronunciamento foi feito durante um encontro com diversas associações de mulheres envolvidas em acções humanitárias e de produção agrícola, numa sessão orientada para avaliar desafios e fortalecer estratégias de protecção da mulher e da rapariga.

Na ocasião, Cidália Chauque destacou que a mulher continua a ser o pilar fundamental das famílias, desempenhando um papel central na educação, estabilidade e bem-estar das comunidades. Por isso, sublinhou que qualquer forma de violência contra a mulher constitui um ataque directo aos valores familiares e ao rumo das comunidades moçambicanas.

A dirigente alertou que as uniões prematuras permanecem como uma das práticas mais prejudiciais ao desenvolvimento da rapariga, uma vez que interrompem o seu percurso escolar, expõem-na a riscos de saúde e limitam o seu futuro. Chauque defendeu que estes casos devem ser denunciados sem receio no seio das comunidades.

Segundo a Secretária-Geral da OMM, a Ilha de Moçambique é um dos distritos que continuam a registar níveis elevados de violência doméstica e casamentos prematuros, situações que exigem maior engajamento das organizações sociais, líderes comunitários e da população em geral.

Chauque afirmou ainda que a transformação social só será possível se as próprias mulheres assumirem uma postura activa na prevenção e combate destas práticas. Para ela, não basta participar em palestras promovidas por outras entidades; é essencial que as mulheres mobilizadas pela OMM desenvolvam também acções de sensibilização nas suas comunidades.

“É no nosso meio que devemos começar, porque a mudança de comportamento deve surgir primeiro dentro das nossas organizações e famílias. Só dessa forma será possível transmitir mensagens mais fortes e credíveis ao restante da população”, afirmou.

A Secretária-Geral destacou igualmente que o trabalho de sensibilização deve ser contínuo, envolvendo visitas comunitárias, diálogos com famílias, campanhas educativas e participação de jovens, sobretudo raparigas, que enfrentam diariamente riscos associados às uniões prematuras.

Chauque lembrou que a violência contra a mulher não é apenas um problema familiar, mas constitui um obstáculo ao desenvolvimento local e nacional. Por isso, apelou à colaboração de autoridades, líderes tradicionais, escolas e grupos religiosos para a construção de um ambiente seguro para mulheres e crianças.

A líder da OMM realçou ainda que o empoderamento económico das mulheres é um dos caminhos mais sólidos para reduzir a dependência e a vulnerabilidade que, muitas vezes, alimentam ciclos de violência. Assim, incentivou as associações femininas a fortalecerem iniciativas de produção agrícola e pequenos negócios.

Cidália Chauque reiterou que a protecção da mulher e da rapariga deve ser encarada como uma responsabilidade colectiva, salientando que cada denúncia contribui para salvar vidas. Garantiu igualmente que a OMM continuará a reforçar o seu papel na defesa dos direitos das mulheres, promovendo campanhas permanentes e ampliando parcerias com organizações da sociedade civil.

Durante a sua estadia na Ilha de Moçambique, Chauque pretende ainda interagir com a população, reforçando mensagens ligadas à paz, união, vigilância e solidariedade — valores que considera essenciais num contexto social marcado por desafios.