Redução da malária depende da redução da pobreza – Ivo Garrido

Redução da malária depende da redução da pobreza – Ivo Garrido

O antigo ministro da Saúde, Ivo Garrido, considera que a malária só deixará de ser um problema de saúde pública em Moçambique — particularmente em Nampula, a província mais populosa — à medida que a pobreza for reduzida.

Garrido afirma ser errado pensar-se que a luta contra a malária é responsabilidade exclusiva do sector da Saúde. Para que o país tenha sucesso no combate à doença, que continua a constituir o principal problema de saúde pública, é necessária uma colaboração intersectorial mais sólida e articulada.

O médico referiu ainda que uma das principais razões pelas quais a malária continua a afectar o país prende-se com alegadas falhas na sua prevenção.

“Ao longo destes anos, verifica-se que, por vezes, os níveis de prevalência e incidência da malária baixam, outras vezes sobem. Em resumo: a doença apenas estagna e nunca conseguimos eliminá-la completamente”, observou Garrido.

Na sua opinião, se o país pretende alcançar resultados significativos — sobretudo em Nampula, província mais afectada a nível nacional — é imperativo investir seriamente na prevenção, nomeadamente na eliminação das fontes de reprodução dos mosquitos, vector principal da doença, na distribuição e uso efectivo de redes mosquiteiras, entre outras medidas.

“A minha experiência profissional ensinou-me que o método mais eficaz de prevenção da malária é a pulverização intra-domiciliária. Neste processo, quer a população seja disciplinada ou indisciplinada, o mosquito, ao pousar na parede, morre. Agora, quando distribuímos redes mosquiteiras, existe um problema: o seu uso depende da decisão de cada pessoa”, explicou.

Segundo o Relatório da Organização Mundial da Saúde referente a 2024, Moçambique ocupa o quinto lugar entre os países mais afectados pela malária em África, atrás da Nigéria, República Democrática do Congo, Uganda e Etiópia.