A taxa de desnutrição crónica tende a baixar na província de Nampula, onde, segundo dados avançados pela Direcção Provincial de Indústria e Comércio, a incidência actual do fenómeno é de 46 por cento, contra 50 por cento registados em 2011.
Segundo o director provincial do sector de Indústria e Comércio, Jeremias Muapaz, que falava esta quinta-feira no âmbito da reunião provincial anual de Balanço e Planificação de Fortificação (2025/2026), promovida pela Cascade e pela GAIN, o objectivo do executivo de Nampula é ampliar o acesso a produtos fortificados, que contêm micronutrientes como vitamina A e outros, nomeadamente o sal, com vista a mudar completamente a situação.
“Para nós, para o alcance deste desiderato, precisamos garantir que as comunidades tenham acesso e consumam produtos como farinha de trigo, óleo e açúcar fortificados”, referiu Muapaz.
De acordo com a fonte, a fortificação de alimentos visa reduzir as consequências da desnutrição, incluindo o impacto na capacidade cognitiva.
A carência de micronutrientes pode também afectar a saúde, levando a problemas como o bócio.
As acções em curso, com o apoio da GAIN, através do projecto Cascade, focam-se na estruturação de mecanismos eficazes para combater a desnutrição.
Entretanto, a secretária executiva adjunta do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), Carla Mosse, defendeu a necessidade de melhoria de alguns aspectos relacionados com a planificação e fiscalização.
“É verdade que temos que educar as nossas comunidades, mas também consolidar a parte da fiscalização, porque só assim é que vamos cumprir com aquilo que é a legislação. No fim, o que teremos como resultado será a melhoria da situação do défice de micronutrientes nos produtos vendidos, da desnutrição crónica e da insegurança alimentar”, referiu Mosse.
A Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE), em Nampula, através da técnica Verónica Milato, contou que, durante as fiscalizações de certificação de alimentos, foram verificadas diversas irregularidades, principalmente no que diz respeito à rotulagem dos produtos.
De acordo com a fonte, embora a maioria dos produtos apresentasse o símbolo de certificação, constatou-se que tal não correspondia à verdade.
Os parceiros de cooperação enfatizaram a importância de fortalecer a qualidade e a conformidade dos produtos, com base em dados confiáveis que subsidiem a tomada de decisões sobre as iniciativas, destacando ainda a relevância de aprimorar a qualidade e a conformidade dos produtos fortificados por meio de inspecções e da fiscalização dos alimentos produzidos e comercializados.
“Continuamos a trabalhar para fortalecer a capacidade técnica dos profissionais das direcções provinciais e de outras repartições, incluindo o sector privado, que actuam na identificação dos desafios enfrentados pelos empresários e na proposição de soluções, tanto em termos de componentes técnicas quanto de tecnologias”, garantiu Rafael Nzukule, gestor de engajamento externo da GAIN.
Por sua vez, o sector privado defende que a fortificação de alimentos não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas como um investimento económico, com vista a ter na província uma população mais bem nutrida e produtiva, com melhor desempenho escolar e menor incidência de doenças.
