Arrancou esta quinta-feira (26), na província de Nampula, a campanha de cirurgias de hidrocele que, numa primeira fase, vai abranger mais de 200 pacientes até ao próximo dia 5 de Março.
A iniciativa decorre no âmbito do plano de controlo das Doenças Tropicais Negligenciadas e está a ser implementada pela Direcção Provincial de Saúde de Nampula, em coordenação com a Sightsavers, um dos parceiros do sector da saúde.
Falando durante o lançamento da campanha, no Hospital Geral de Marrere, o chefe da Repartição de Promoção de Saúde, Prevenção e Controlo de Doenças, Nalcil Biassone, explicou que a acção visa tratar complicações associadas à filariose linfática, entre elas a hidrocele.
“Neste momento estamos focados na gestão das complicações da filariose linfática, cuja uma das manifestações é a hidrocele”, afirmou o responsável.
Segundo Biassone, a Sightsavers tem prestado assistência técnica e operacional no combate às doenças tropicais negligenciadas em todo o país. Por isso, está em curso uma capacitação e refrescamento de técnicos de cirurgia das províncias de Nampula e Zambézia, envolvendo dez profissionais que actuam em unidades sanitárias com capacidade cirúrgica.
Durante esta fase prática, que decorre no Hospital Geral de Marrere, prevê-se a realização de cerca de 200 cirurgias, número que deverá aumentar quando os técnicos regressarem às suas unidades de origem.
A meta mínima estabelecida pelas autoridades de saúde nesta parcela do país é atingir pelo menos 500 cirurgias de hidroceles nos próximos tempos, como forma de reduzir a longa lista de pacientes que aguardam tratamento.
Dados da Direcção Provincial de Saúde indicam que, nos últimos cinco anos, foram mapeados cerca de 10 mil pacientes com hidrocele na província de Nampula, muitos dos quais ainda esperam por intervenção cirúrgica.
As autoridades reconhecem que a doença provoca estigmatização social, isolamento e, em alguns casos, incapacidade laboral, afectando directamente a produtividade dos doentes.
Entretanto, os beneficiários mostraram-se satisfeitos com a iniciativa e afirmam que a campanha devolve esperança, permitindo-lhes encarar o futuro com maior dignidade.
“Acredito que, depois desta campanha, a vida vai melhorar, porque passamos por humilhações na sociedade. Aconselho os demais pacientes a aderirem à campanha, pois é gratuita”, exortou um dos beneficiários.
