Construção de represas apontada como solução de escassez de água em Nampula

Construção de represas apontada como solução de escassez de água em Nampula

A província de Nampula enfrenta actualmente uma das maiores dificuldades relacionada com a baixa taxa de cobertura de acesso à água, estimada em 45%, problema cuja solução, segundo o director provincial de Obras Públicas, Faquira Massalo, passa por potenciar a construção de represas em cada um dos 23 distritos da província, até ao ano de 2036.

Massalo, que falava ontem durante a reunião de consulta pública sobre o sector de água na região norte, referiu que o problema do baixo acesso à água não afecta apenas as populações, que dela necessitam para consumo e uso doméstico, como também o funcionamento de alguns sectores estratégicos de desenvolvimento, nomeadamente o turismo, para diversos fins, a indústria, para o processamento de matérias-primas, e a agricultura, para a irrigação dos campos e produção de alimentos, entre outros.

Segundo ele, a estratégia do Governo para resolver o problema envolve medidas tais como a expansão dos sistemas de abastecimento existentes e a construção de pequenas represas por distrito até 2036.

“Pretendemos garantir a construção de pelo menos uma represa por ano em cada distrito, com capacidade adequada para atender às necessidades da comunidade”, defendeu.

A adopção desta abordagem, segundo justificou, deve-se aos eventos climáticos extremos, tais como secas prolongadas e cada vez mais severas, para além do facto de a província estar a enfrentar o aumento da salinidade, principalmente em aquíferos costeiros, o que, segundo Massalo, afecta a qualidade da água subterrânea, situação que pode levar à perda de lençóis freáticos e, consequentemente, à escassez de água subterrânea, agravada pela variação dos cursos hídricos e pela deterioração da qualidade deste precioso líquido, com o surgimento de problemas como o acúmulo de ferro.

“Diante desse cenário, buscamos combinar soluções, não nos focando apenas na água subterrânea, mas também na água superficial, que oferece vantagens significativas. A água superficial pode ser utilizada para suprir a escassez de água na zona costeira, abastecer as indústrias, irrigar os campos, entre outros fins”, explicou.

Além disso, o Governo prevê concretizar um outro projecto relacionado com a protecção dos recursos hídricos.

“Temos visto, nos últimos tempos, a ocupação de bacias e represas existentes para construções e actividades agrícolas, o que afecta a capacidade de retenção e a qualidade da água”, disse Massalo.

Por isso, referiu ser necessário proteger as fontes de água, incluindo os campos de perfuração, que devem ser adequadamente protegidos.

“Precisamos investir na protecção das nossas fontes, tanto superficiais quanto subterrâneas, especialmente diante das mudanças climáticas, que tornam a água um recurso cada vez mais escasso”, disse.

Ademais, de acordo com a fonte, o Governo pretende garantir o fornecimento de água nas escolas e nos centros de saúde.

Actualmente, estima-se que 40% das cerca de 2.500 escolas da província de Nampula têm acesso à água.

Enquanto isso, dos 300 centros de saúde, 169 enfrentam o problema de falta de água. “Apresentaremos as nossas necessidades, como província, para buscar soluções, visando garantir que todas as escolas tenham água, o que terá um impacto positivo significativo”, assegurou Massalo.