ASTRA alega que transporte de passageiros não é rentável

ASTRA alega que transporte de passageiros não é rentável

O presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários (ASTRA), em Nampula, Luís Vasconcelos, disse, há dias, que cada um dos transportadores semicolectivos de passageiros, vulgarmente conhecidos por chapa-100, que operam na cidade de Nampula, perde, em média, mais de 10 mil meticais mensais, devido ao desajuste da tarifa actualmente cobrada em relação às distâncias percorridas.

Vasconcelos apresentou estes dados na semana passada, durante uma reunião com o Conselho Municipal, para debate da revisão das tarifas dos transportes semicolectivos e introdução de pontos intermédios.

Trata-se de uma proposta que a ASTRA procura fazer aprovar junto da Assembleia Municipal desde o ano de 2021.

“Estamos a perder muito dinheiro, em média 10.400 meticais por cada rota explorada pelos nossos associados. Por isso, não estarei a mentir se disser que esta actividade não está a compensar, sabido que cada transportador possui vários encargos fiscais e de manutenção da própria viatura”, destacou Vasconcelos, sem detalhar como chegou a tais valores.

Zeca Alberto, operador desde 2004, começou por dizer que o desenvolvimento urbano está intrinsecamente ligado ao sistema de transporte, por isso instou os membros da Assembleia Municipal para a necessidade de aprovação urgente da proposta de actualização das tarifas.

“A inércia na actualização dos preços das tarifas não prejudica apenas os transportadores, mas também os passageiros, porque limita a nossa capacidade de resposta, fazendo com que não seja possível oferecer um serviço de melhor qualidade à população”, explicou Alberto.

Segundo ele, a consequência mais grave é a marginalização de uma actividade essencial, cujos padrões de conduta são afectados.

Gamito Carlos, coordenador provincial da Rede Moçambicana dos Defensores de Direitos Humanos, em Nampula, entende que a pretensão dos operadores dos chapa-100 é legítima e merece consideração.

“Ao ouvir as discussões, especialmente sobre as distâncias mencionadas, considero fundamental sermos realistas. Os transportadores, na prática, nem sempre cumprem tais distâncias. Observamos isso diariamente e é preciso abordar essa questão com responsabilidade. Embora o serviço seja caracterizado como social, sabemos que também possui uma componente lucrativa. É por causa dessa lucratividade que temos constatado, como mencionado, o descumprimento das rotas, através do encurtamento dos trajectos”, explicou Gamito.

O vereador de Transportes, Comunicação e Trânsito no Conselho Municipal da Cidade de Nampula, Nelson Furrumula, reiterou a preocupação apresentada por aqueles membros da organização da sociedade civil, em relação às distâncias percorridas pelos transportadores, que nem sempre correspondem às rotas estabelecidas.

Contudo, como entidade reguladora dos transportes urbanos, solicitou atenção especial a esta questão, propondo trabalhar em conjunto com a sociedade civil na promoção de consultas às comunidades residentes ao nível dos postos administrativos urbanos, para auscultar os seus pontos de vista sobre a matéria.

“Se a Assembleia Municipal aprovar alguma alteração, será crucial fiscalizar rigorosamente, pois a prática de encurtamento de rotas, mesmo com o aumento das tarifas ou a criação de pontos intermédios, pode persistir. Essa prática existe há mais de 10 anos e é necessário combatê-la de forma efectiva”, afirmou Furrumula.

Por seu turno, a presidente da Assembleia Municipal, Florinda Artur, prometeu que, após a colecta de todos os dados, será realizada uma nova reunião para organizar o processo e, como Assembleia Municipal, agendar um possível debate e aprovação do documento.