Os transportadores semicolectivos urbanos de passageiros, vulgarmente conhecidos por “chapa cem”, propõem o aumento da tarifa única de transporte de 10 para 20 meticais em todas as rotas urbanas da cidade.
Esta proposta foi apresentada na última sexta-feira, durante uma sessão de auscultação pública sobre a revisão da tarifa do transporte semicolectivo de passageiros, encontro que reuniu transportadores, membros da sociedade civil, dirigentes municipais e representantes da ASTRA.
Entretanto, a proposta contraria a posição defendida pela Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula (ASTRA), que sugere a criação de pontos intermédios, nomeadamente na zona da Sipal, mantendo-se a cobrança de 10 meticais por troço ou, alternativamente, a fixação de uma tarifa única de 15 meticais.
Os transportadores justificam o pedido com o recente aumento do preço dos combustíveis anunciado pelo Governo, alegando que os actuais custos operacionais tornaram inviável a manutenção da tarifa em vigor.
Durante o debate, Dionísio, transportador e chefe da rota Muahivire-Waresta, defendeu que a nova realidade dos combustíveis obriga à revisão imediata da tarifa.
“Estamos a pedir para nos ajudarem. A maioria de nós não tem carro próprio, somos empregados e pais de família. Trabalhamos duro para conseguir dinheiro para o patrão e também para sustentar as nossas casas”, afirmou.
Outro transportador, identificado apenas por Assane, considerou que o actual modelo tarifário já não responde às distâncias percorridas nas diferentes rotas urbanas.
“Se deixarem esse preço de 10 meticais, vamos perder tempo e continuar a encurtar rotas. Dez meticais com ponto intermédio não vai funcionar porque estamos a olhar para o preço do combustível”, declarou.
Por outro lado, membros da sociedade civil entendem que a proposta dos transportadores é excessiva. Gamito dos Santos considerou que o valor de 20 meticais está fora do contexto económico da população e defendeu a criação de pontos intermédios como alternativa mais equilibrada.
Na ocasião, o presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, Luís Giquira, apelou à prudência, alertando para o impacto social de um aumento considerado elevado numa altura de dificuldades económicas.
A reunião terminou sem consenso em torno da nova tarifa, por isso a presidente da Assembleia Municipal de Nampula convocou uma sessão extraordinária para esta segunda-feira, com o objectivo de analisar, debater e aprovar a nova nota tarifária do transporte público urbano.
Desde quinta-feira, a gasolina passou de 83 para 93 meticais por litro, enquanto o gasóleo registou uma subida de 79 para 116 meticais e os operadores alegam ainda que o preço de óleos e lubrificantes continua igualmente a aumentar.
