Alguns moradores dos bairros periféricos da cidade de Nampula estão a recorrer à vandalização de condutas de distribuição de água para garantir acesso ao líquido, numa altura em que persiste a crise de abastecimento em vários pontos da cidade.
Uma ronda efectuada pelo nosso jornal ao longo da última semana constatou que os casos de vandalização ocorrem com maior frequência nos bairros de Muahivire, Napipine e Muatala.
Segundo relatos recolhidos no local, muitas famílias recorrem às rupturas das condutas devido à falta prolongada de água canalizada nas residências.
Argentina Paulo, residente do bairro de Muahivire, afirmou que a população se sente abandonada pela empresa responsável pelo abastecimento de água.
“Pagamos as facturas, mas a água não sai nas torneiras das nossas casas. Por isso, muitas pessoas acabam por recorrer a este método para resolver o problema”, desabafou.
Outra moradora da zona militar de Muahivire, identificada apenas por Alzira, alegou que nem todos os danos nas condutas resultam de actos propositados de vandalização.
“Muitas vezes são viaturas que acabam por danificar as condutas porque algumas estão descobertas. Nós apenas aproveitamos a água que se espalha porque não temos outra alternativa”, explicou.
Já Ester Conceição, residente do bairro de Muatala, considera que a situação resulta também da alegada falta de fiscalização e acompanhamento por parte da empresa Águas da Região Norte.
Segundo afirmou, a empresa concentra-se essencialmente na cobrança de facturas, sem garantir uma resposta efectiva aos problemas de abastecimento e manutenção das infra-estruturas.
Os moradores apelam à empresa gestora do sistema de abastecimento para reforçar os esforços de distribuição regular de água, considerando que a melhoria do serviço poderá reduzir os casos de vandalização das condutas.
A crise de abastecimento de água continua a afectar milhares de famílias na cidade de Nampula, obrigando muitos residentes a recorrerem a fontes alternativas para consumo e uso doméstico.
