Promessa do MIREME falha e crise de gasolina mantém-se em Nampula e Nacala

Promessa do MIREME falha e crise de gasolina mantém-se em Nampula e Nacala

A promessa do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) anunciada na passada terça-feira, 22 de Setembro, de normalizar o abastecimento de combustíveis nas cidades de Nampula e Nacala, a partir da passada quarta-feira, não se concretizou.

Aliás, a gasolina continua escassa e as longas filas mantêm-se nas bombas, numa crise que se prolonga há cerca de cinco meses e continua a afectar automobilistas, taxistas e outros profissionais que dependem do combustível para trabalhar.

Na cidade de Nampula, a procura por gasolina continua a levar centenas de pessoas às bombas, onde muitos consumidores permanecem durante várias horas na expectativa de conseguir abastecer. Alguns percorrem diferentes estações de serviço sem sucesso, enquanto outros chegam a permanecer nas bombas durante a noite, ou até mesmo deixar os carros nas bichas na bomba. Em Nacala, a situação de escassez também persiste.

A situação tem afectado particularmente os profissionais que dependem do combustível para garantir o seu rendimento diário. Entre os mais afectados estão os taxistas, tanto de carro assim como de mota, e alguns chapeiros, que dizem passar mais tempo à procura de gasolina do que a realizar as suas actividades.

“Como está a ver, estou a empurrar o meu carro para ver se consigo abastecer. Estou à procura de combustível desde sexta-feira. O combustível acabou enquanto procurava, porque já fui a três bombas e nunca consegui abastecer devido às longas filas”, relatou Calton Alfagir Daniel, um dos automobilistas entrevistados pela nossa reportagem.

Outro entrevistado, que exerce a actividade de táxi-mota, considera que a situação está a provocar perdas significativas para quem depende diariamente do combustível.

“O que está a acontecer é muito humilhante. Estamos aqui na bicha, a apanhar sol, mas é normal, daqui a nada, ouvirmos que o combustível acabou e termos de voltar para casa depois de várias horas perdidas à procura de combustível”, afirmou.

A crise de abastecimento tornou-se evidente na província de Nampula a partir de 20 de Abril de 2026 e, desde então, as dificuldades persistem apesar das diferentes medidas anunciadas pelas autoridades para tentar normalizar a situação.

Entre as medidas adoptadas esteve uma operação contra a venda informal de combustíveis, durante a qual as autoridades apreenderam cerca de dois mil litros do produto nas ruas. Na altura, as autoridades consideravam que a venda informal contribuía para agravar a escassez.

Entretanto, a situação não se alterou de forma significativa após a operação. As filas continuaram a registar-se nas bombas e, actualmente, as dificuldades de abastecimento afectam também o gasóleo em algumas bombas da cidade de Nampula.

A situação é reconhecida pela Petróleos de Moçambique, Petromoc, que admite constrangimentos no abastecimento e aponta limitações relacionadas com o processo de facturação e com a disponibilidade de produto no Terminal de Combustíveis de Nacala.

Segundo informações citadas pelo jornal O País, apesar de existirem programas de abastecimento, registam-se dificuldades no processo de facturação, condicionando o fornecimento de combustíveis.

“Estávamos muito mal. Tivemos que receber algum reforço de Cabo Delgado”, explicou a Petromoc, acrescentando que havia indicações de que um navio deveria atracar no dia 24 de Setembro.

A chegada desse navio foi, igualmente, anunciada pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que previa a normalização do abastecimento de combustíveis nas cidades de Nampula e Nacala a partir de 23 de Setembro.

Entretanto, a previsão não se concretizou e, já depois da data indicada para a normalização, persistem as filas nas bombas e as dificuldades para encontrar gasolina.

A Petromoc espera que, após a chegada do navio e a consequente injecção de combustível no Terminal de Santiago, em Nacala, seja possível determinar com maior precisão as quantidades disponíveis para abastecer a província.

“Depois desta injecção ao nível do terminal é que vamos ter a informação real sobre a quantidade de combustível já existente”, explicou a empresa, citada pelo O País, acrescentando que, até ao momento, ainda não dispunha de dados definitivos sobre os níveis de stock.

Enquanto a população continua à procura de combustível, começam também a surgir dúvidas entre os retalhistas sobre os critérios utilizados na distribuição da gasolina depois da entrada de camiões no terminal da Petromoc.

Alguns operadores, incluindo empresas com contratos de fornecimento com a Petromoc, afirmam continuar a receber informação sobre a indisponibilidade do produto, apesar da entrada de combustível no terminal.

Os retalhistas questionam, por isso, os critérios de distribuição, numa altura em que a população continua sem uma explicação definitiva sobre as causas do prolongamento da crise.

Contudo, a promessa de normalização ainda não se concretizou e Nampula e Nacala continuam a enfrentar dificuldades no acesso a combustíveis, deixando consumidores e profissionais dependentes deste produto à espera de uma solução efectiva.