Reconstrução de pontes em Memba: Empreiteiro não paga salários há quatro meses

Reconstrução de pontes em Memba: Empreiteiro não paga salários há quatro meses

A BLM Construções, empresa responsável pelas obras de reconstrução da ponte sobre o rio Nacala, no troço que dá acesso a sede do posto administrativo de Mazua, no distrito de Memba, não está a pagar os salários aos trabalhadores envolvidos na obra, há quatro meses, aliás, desde o inicio das obras. Os trabalhos estão orçados em mais de dez milhões de meticais

A situação, de acordo com os trabalhadores ouvidos pela nossa reportagem, já é preocupante, uma vez que as obras estão na fase de conclusão e os responsáveis não dão nenhuma explicação sobre a falta de pagamento dos ordenados mensais.

A nossa reportagem soube que, o acordo inicial entre a empresa e os trabalhadores previa o pagamento de 4500 meticais nos primeiros 20 dias do trabalho, mas este acordo não foi cumprido por parte do empregador.

“O mais estranho é que os prazos acordados foram ultrapassados e não há nenhuma informação sobre o ponto de situação dos nossos salários”- reclamou o colaborador da empresa, Francisco Xavier.

Francisco Xavier e os seus companheiros foram recrutados localmente para prestar os trabalhos de servente da obra.

Outro trabalhador que lamenta a falta de salários é Marcelino João, que considera os gestores da empresa desumanos. Para ele, não faz sentido sair para trabalhar e voltar a casa não ter nada para alimentar a si próprio e aos seus dependentes.

Os nossos interlocutores temem que os trabalhos terminem e o empreiteiro possa se retirar do estaleiro sem pagar os salários devidos. O pior é que nenhum colaborador assinou contrato de trabalho. Aliás, soubemos que, não há nenhum documento escrito que revela haver compromisso entre ambos.

“Não temos contratos de trabalho. E se os trabalhos terminarem e eles não pagarem, nós não temos bases para reivindicar os nossos direitos”, disse Marcelino João.

Contactado o representante da empresa BLM Construções, António Ossifo, explicou que os valores para o pagamento de salários existem, mas serão entregues aos colaboradores no fim das obras de reconstrução da ponte.

Em relação ao contrato de trabalho, Ossifo disse que por se tratar de obras de emergência não houve necessidade de se assinar qualquer compromisso laboral.