Os produtores de hortícolas na zona de Tereni A, no bairro de Napipine, arredores da cidade de Nampula, responsabilizam a empresa nova Texmoque, empresa que se dedica a produção de capulanas, pela suposta poluição do rio Nicutha, usado para suas actividades agrícolas na cintura verde da cidade.
Selemane Abacar, produtor de hortícolas na região, considera o facto como sendo um atentado ao ambiente e, quiçá, a saúde pública.
“Porque a água está a aparecer com tinta, acho que não podíamos usar para regar os nossos produtos, mas acontece que não temos outra alternativa” -disse Abacar.
De acordo com Abacar, o assunto já foi encaminhado à direcção da empresa Texmoque, mas que, segundo ele, até agora não tomou nenhuma providência.
Francisco de Sousa, um outro produtor, que, igualmente, se mostra agastado com relação ao problema, pede as autoridades, com destaque para a direcção de ambiente e Conselho Municipal, para intervierem na situação.
Sensibilizado sobre o assunto, o governo criou uma equipa constituída por técnicos ambientais, jornalistas, que se deslocaram ao terreno com objectivo de apurarem eventuais danos ambientais, para efeitos de mitigação.
O responsável pela área de gestão ambiental da fábrica Texmoque, Orlando Hugo, começou a explicar que por força da lei, existe um plano de gestão ambiental, que aquela unidade fabril tem estado a seguir à risca.
“O sistema implantado aqui, remonta do tempo colonial. Toda água produzida pela fábrica, passa por uma estação de tratamento, só depois dai é desaguada no rio Nikuta. Nenhuma água vai ao rio, sem que tenha passado pelo processo de tratamento. É verdade que, em algum momento, essa água aparece vermelha, mas não quer dizer que seja contaminante” -explicou Hugo.
Acrescentou que a direcção da empresa tem procurado conversar com as comunidades, devido a falta de representante, que sirva de interlocutor válido.
“Alegada contaminação da água do rio, tem acontecido às segundas-feiras, quando procedemos a lavagem dos tanques” -afiançou Hugo.
Solicitado para apresentar um documento que autorizava a empresa despejar águas residuais no rio, respondeu que havia uma licença ambiental de categoria A, que, entretanto, não continha tal clausula.
O chefe de laboratório da fábrica, Silvano Rafael, explicou que a empresa tem feito várias análises de água, para aferir se há ou não contaminação.
Aliás, da visita que realizamos à fábrica, constatamos que existe sim um sistema de tratamento de águas residuais, com dez tanques, que sai da fábrica até ao rio Nicutha.
Não obstante, a equipa da direcção do ambiente prometeu que viria numa outra ocasião para fazer um trabalho minucioso de investigação, para aferir se as hortícolas são ou não contaminadas, devido o uso da água do Nicutha para rega.
Importa referir que, a lei 20/97, de 01 de Outubro, a Lei do Ambiente, no artigo 9, estabelece a proibição do lançamento para água ou para atmosfera, de quaisquer substâncias tóxicas e poluidoras, assim como a prática de actividades que acelerem a erosão, a desertificação, o desflorestamento ou qualquer outra forma de degradação do ambiente, fora dos limites estabelecidos, entre outras matérias.
