Está cada vez mais a crescer o número de pacientes que estão a perder a visão, em Nampula, devido a automedicação para curar a conjuntivite hemorrágica, doença que eclodiu em 10 de Fevereiro passado, nesta província, mas que agora se alastrou para quase todo o país.
O facto acontece porque os pacientes, ao invés de procurarem uma unidade sanitária para consulta médica especializada, eles recorrem a substâncias como urina, óleo, folhas de feijão bóer, bálsamos, entre outras substâncias para combater a doença, o que agrava e provoca perfuração ocular.
A chefe do departamento de oftalmologia no Hospital Central de Nampula – HCN – Marta Abudo, disse que, em termos gerais, os casos de entrada dos pacientes com conjuntivite hemorrágica registaram uma certa redução na semana passada, quando comparado as outras duas semanas anteriores, embora haja grande número de pacientes com complicações.
A título ilustrativo, a fonte disse que, se antes as entradas diárias de pacientes com a doença rondavam entre 100 e 130, na semana em referência, o número elevado foi de 50 casos.
“Apesar de reduzir os números ao nível da consulta, estamos a conhecer um incremento de pacientes com complicações, devido ao uso de substâncias inapropriadas ao nível da comunidade. Os pacientes não estão a vir à unidade sanitária para ter diagnóstico e tratamento adequado e optam pelo tratamento por indicação ao nível da comunidade, o que não é bom, e agora estamos a ter as consequências desta automedicação” – explicou Abudo.
A nossa interlocutora informou que, encontram-se internados no HCN 11 pacientes, cujo seu estado ocular é crítico e que poderá levar à cegueira por conta de automedicação.
“As pessoas ainda continuam a ignorar as orientações das autoridades de saúde, que é de lavagem das mãos e cara, frequentemente. Não tocar em objectos, sem, no entanto, higienizar as mãos. São as mesmas regras que usamos para o combate ao Coronavirus” – sublinhou.
Apontou os bairros de Namicopo, Namutequeliua, Natikiri e Muahivire, como sendo os que mais cidadãos ignoram as mensagens difundidas pelo sector de saúde com vista a estancar este fenómeno que abala o país.
“Dos 11 internados, temos a destacar alguns com estado grave e que a sua cura tornará difícil. Ou seja, vão perder a visão, daí que, pedimos novamente as comunidades para o cumprimento rigoroso das orientações do ministério da saúde”. Frisou.
Marta Abudo, revelou, igualmente, que, ainda continua suspensa as consultas externas para os pacientes com problemas de saúde ocular, pois a prioridade, neste momento, é de entender doentes com conjuntivite hemorrágica.
A nossa reportagem conversou com alguns munícipes que já tiveram a conjuntivite hemorrágica, os quais mostraram-se preocupados com a persistência de cidadãos que continuam a recorrer automedicação.
Jacinto Alberto referiu que, teve a cura, mediante o cumprimento do protocolo sanitário, e aconselha aos demais cidadãos a abdicarem o uso de medicamentos tradicionais.
“Quando contrairmos a conjuntivite hemorrágica temos de obedecer as orientações do sector de saúde. Fiquei curado sem o uso de medicamentos tradicionais. Apenas a lavagem da cara com sabão ou cinzas. Até mergulhava o lenço na água morna ou fria, para aplicar no olho, de modo a evitar a coceira”. Disse.
Daniel Silvestre é outro munícipe com quem conversamos e apela aos cidadãos com sintomas de conjuntivite hemorrágica a procurarem por uma unidade sanitária no sentido de evitar que o pior aconteça.
