Nampula já sofre restrições no fornecimento de água   

Nampula já sofre restrições no fornecimento de água   

Ainda no início da época seca e com o verão à porta, os munícipes da cidade de Nampula já se ressentem da crise de água potável, pois a distribuição deste precioso líquido já não está a ser feita com a devida regularidade, havendo zonas que chegam a ficar, entre três a dez dias, sem que jorre nas torneiras.

As restrições no fornecimento de água canalizada foram confirmadas pela empresa Águas da Região Norte (AdRN), gestora do sistema de provimento do precioso líquido, que, no entanto, ainda não anunciou publicamente, como tem sido habitual, os eventuais horários.

Gimo Fernando Gimo, residente no bairro de Muhala, consumidor, diz que o problema das restrições no fornecimento de água à sua residência é cíclico, sempre que chega o mês de outubro de cada ano.

“Há dois anos que, quando chega em Outubro, a água não jorra na torneira da minha casa e de outras residências vizinhas”, explicou Gimo. Como alternativa, ele e outras pessoas afectadas pela crise sobrevivem da água captada de um furo subterrâneo, aberto por um dos vizinhos, cujo horário de acesso ao precioso líquido vai das 17 às 20 horas.

Domingos Luís, residente no bairro de Muahivire, também se manifestou preocupado com a vigência da crise. “Aqui, a água sai uma vez por semana; nos outros dias, somos forçados a buscar água nos poços tradicionais”, explicou Luís.

Entretanto, a AdRN, através do seu gabinete de comunicação, explicou em exclusivo ao Wamphula-fax que as restrições se devem à redução dos volumes de água na barragem.

“Estamos a registar a redução dos volumes da água na albufeira do rio Monapo. Face a este cenário, em coordenação com a ARA-Norte, que regula a gestão das bacias a nível da Região Norte, chegamos ao consenso de que devemos começar a reduzir o volume de produção com vista à gestão criteriosa da água disponível, até à próxima época chuvosa”, explicou a fonte.

Para assegurar a continuidade do fornecimento do precioso líquido à população, embora em quantidades menores em comparação à época chuvosa, estão em curso algumas medidas que visam aumentar o volume de abastecimento, através da operacionalização do pequeno sistema localizado no bairro de Natikiri, manutenção e melhoria do sistema do campo de furos de Muatala, e a identificação de fontes alternativas para a sua exploração, com recurso às Estações de Tratamento de Água (ETA’s) móveis.

Refira-se que, a cidade de Nampula conta actualmente com uma população que ronda em 1 milhão de habitantes, um aumento demográfico que não está a ser acompanhado pelo sistema de abastecimento de água, construído há mais de 60 anos, situação que se reflecte no deficiente fornecimento deste precioso líquido, sobretudo a cada época seca do ano.

Para o engenheiro e pesquisador José Muivai Júnior, a solução do problema de água da cidade de Nampula passa pela construção de novas barragens e/ou pelo incremento das reservas subterrâneas.

De acordo com os dados de 2017, a população aumentou para mais de 750.000 habitantes, o que denota um crescimento acentuado e, mesmo com a barragem cheia, o sistema de abastecimento de água não tem conseguido satisfazer normalmente todas as necessidades de Nampula.

Os estudos realizados na década de 1990 já indicavam que, a partir do ano de 2010, a cidade estaria a braços com uma crise, mesmo depois da reabilitação e expansão do sistema entre 2002 e 2015.