O Hospital Central de Nampula (HCN), a maior unidade sanitária da região norte do país, cancelou, nas últimas 48 horas, mais de dez cirurgias devido à falta de anestésicos e compressas, segundo apurou o Wamphula Fax. Contudo, a direcção do hospital recusou-se a comentar a situação, alegando tratar-se de um assunto da competência das autoridades centrais.
A denúncia chegou ao jornal através de familiares de pacientes internados, que têm enfrentado dificuldades no acesso a cuidados de saúde naquela unidade hospitalar. Uma das fontes relatou que um familiar, que deveria ser submetido a uma cirurgia abdominal, foi devolvido à enfermaria devido à indisponibilidade dos materiais essenciais.
“Para evitar que o pior acontecesse, tivemos de levar o nosso doente a uma clínica privada, onde está neste momento a ser atendido”, contou a fonte.
Entretanto, numa ronda efectuada pela nossa reportagem por algumas farmácias privadas da cidade, foi possível confirmar que a procura por compressas e anestésicos aumentou nos últimos dias.
“Posso confirmar essa informação, porque muita gente tem vindo à nossa farmácia à procura de material usado em cirurgias”, afirmou um funcionário farmacêutico, que preferiu manter o anonimato.
Com o intuito de apurar oficialmente a veracidade dos factos, entrámos em contacto com a equipa de Comunicação e Imagem do HCN. No entanto, esta remeteu qualquer esclarecimento às autoridades centrais.
Apesar do silêncio local, a nível nacional, foi noticiado que, nesta segunda-feira, o Ministro da Saúde, Ussene Isse, recomendou aos profissionais de saúde das unidades sanitárias do país a prescrição de medicamentos alternativos, sempre que houver ruptura de stock, como forma de minimizar o sofrimento dos utentes.
O governante foi citado a reconhecer a escassez de materiais médico-cirúrgicos e medicamentos, com destaque para o fentanil, um anestésico amplamente utilizado no país.
