Restrição de água volta a Nampula: a mesma crise, as mesmas promessas de solução

Restrição de água volta a Nampula: a mesma crise, as mesmas promessas de solução

A cidade de Nampula vive um período crítico no que diz respeito à escassez de água, agravada pelo crescimento populacional acelerado e pela limitação das infraestruturas existentes.

Em resposta, a Administração Regional de Águas do Norte (ARA-Norte) anunciou que, dentro de duas semanas, irá implementar restrições no fornecimento de água à cidade, através da Barragem de Monapo.

De acordo com o director-geral da ARA-Norte, Carlitos Omar, a medida visa racionalizar o uso do precioso líquido enquanto se aguarda pela próxima época chuvosa.

A barragem que abastece a urbe foi originalmente concebida para uma população estimada em 150 mil pessoas; no entanto, Nampula ultrapassa actualmente 1 milhão de habitantes, número que excede largamente a capacidade de fornecimento da infraestrutura.

Como alternativa, estão a ser equacionadas soluções estruturais há anos, tais como a construção de uma represa sobre o rio Namaita, na zona da Quinta de Galo, e de uma nova barragem no distrito de Rapale, cuja capacidade deverá ser significativamente superior à da actual barragem de Monapo. A mobilização de fundos para o projecto de Rapale está prevista para o próximo ano, com apoio do Banco Mundial.

Paralelamente, o Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, Luís Giquira, defende a aquisição de equipamento próprio para a abertura de furos de água como uma medida imediata de mitigação, visando sobretudo os bairros que não estão ligados à rede pública. Para tal, foi já enviada uma solicitação à empresa Águas da Região Norte (AdRN), pedindo o empréstimo de equipamentos de perfuração.

Giquira sublinhou que a crise de água, particularmente sentida a partir do mês de Junho, tem-se intensificado nos últimos cinco anos.

As suas declarações foram feitas durante uma reunião técnica sobre o sector, que reuniu diversos actores institucionais.

Já o director provincial das Obras Públicas, Faquira Massalo, revelou que, dos mais de 1 milhão de habitantes da cidade de Nampula, apenas cerca de 300 mil têm acesso regular a água potável.