Resgatadas três centenas de crianças em uniões prematuras

Resgatadas três centenas de crianças em uniões prematuras

Um total de 300 meninas menores de idade, que viviam em situação de uniões prematuras em diferentes distritos da província de Nampula, foi resgatado pela Direcção Provincial do Género, Criança e Acção Social.

A informação foi partilhada esta semana pelo chefe do Departamento de Estudos e Planificação naquela direcção provincial, Francisco Saraiva, que aponta a vulnerabilidade de algumas famílias como uma das principais causas do fenómeno.

Segundo a fonte, muitas famílias acreditam que o casamento das suas filhas constitui uma solução para os problemas sociais e económicos que enfrentam, o que contribui para a ocorrência de uniões prematuras.

Questionado sobre as medidas em curso para combater esta prática, Saraiva explicou que o sector continuará a resgatar crianças vítimas deste fenómeno, reintegrando-as nas suas famílias e no sistema de ensino.

Acrescentou que estão igualmente a ser intensificadas campanhas de divulgação da legislação sobre a prevenção e combate às uniões prematuras, através de palestras comunitárias, spots de rádio e televisão, bem como cartazes informativos e outras acções de sensibilização.

Saraiva informou ainda que o sector, em parceria com o Banco Mundial, projecta a construção de 45 escolinhas comunitárias em 15 distritos da província, destinadas a atender crianças com idades entre os três e os cinco anos, no âmbito de um programa denominado PIDESIM.

Entre os distritos abrangidos constam Nampula, Angoche, Mogovolas, Mogincual, Mossuril, Monapo, Nacala-Porto, Nacala-a-Velha, Memba, Eráti, Mecuburi, Rapale, Murrupula e Nacarôa.

“Apesar de a construção das escolinhas ainda não ter sido concluída, já estamos a atender as crianças em tendas. O objectivo é preparar as crianças para o ensino escolar, estimulando a curiosidade e a aprendizagem desde tenra idade”, explicou Saraiva.

No âmbito desta iniciativa, prevê-se igualmente a revitalização dos comités comunitários, estruturas que prestam serviços sociais essenciais às crianças, incluindo apoio nas áreas de saúde, nutrição, assistência jurídica e habitação.

“A implementação das escolinhas comunitárias será da responsabilidade das comunidades, que irão indicar os locais onde serão construídas. O Governo, por sua vez, assegurará o apoio necessário, sobretudo na formação de animadores comunitários. Até ao ano passado já tínhamos formado 195 animadores”, disse Saraiva.

O responsável garantiu ainda que os comités comunitários continuarão a ser fortalecidos, tendo em conta o papel que desempenham na promoção do bem-estar das crianças e na protecção dos seus direitos.