Zona norte destacou-se nas exportações nacionais no ano passado

Zona norte destacou-se nas exportações nacionais no ano passado

A região norte de Moçambique, que integra as províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, destacou-se em 2024 como a principal zona exportadora do país, representando 53% do total das exportações, o equivalente a 4,78 mil milhões de meticais.

A informação foi avançada pelo Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, esta quarta-feira, durante a abertura da conferência MozExport Regional Norte, realizada na cidade de Nampula.

O evento, promovido pelo Ministério da Economia e Finanças, visava divulgar os acordos de cooperação bilateral e multilateral assinados por Moçambique, bem como explorar as oportunidades proporcionadas pela Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).

Segundo Grispos, nos últimos cinco anos, a balança comercial do país registou um crescimento de 66%, com as exportações a atingirem os 7,1 mil milhões de dólares. No ano passado, as exportações com destino a países africanos representaram cerca de 1.592 milhões de dólares, concentrando-se maioritariamente na África Austral, onde Moçambique beneficia de acesso preferencial através da zona de comércio livre da SADC.

Ainda em 2024, a região norte contribuiu com cerca de 101 mil milhões de dólares das exportações destinadas ao continente africano, o que equivale a 6% do total.

Por outro lado, as exportações de produtos agrários continuam a crescer de forma consistente, tendo registado um aumento de 13%, com um peso de 12% no total exportado.

No entanto, segundo Grispos, a inclusão das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) ainda é limitada, tendo estas contribuído com apenas 19% do total das exportações em 2024.

O governante sublinhou a importância de aproveitar ao máximo as vantagens oferecidas pelo acordo da ZCLCA, que abrange 54 países e cerca de 1,4 mil milhões de consumidores.

“A diplomacia económica do governo visa precisamente alargar o acesso da produção nacional aos mercados internacionais estratégicos, através de acordos bilaterais e multilaterais”, destacou.

Actualmente, Moçambique mantém acordos preferenciais com a SADC (15 países), União Europeia (27), ZCLCA (54), bem como com o Reino Unido, Irlanda do Norte, Indonésia, Zimbabwe, Malawi, China e Estados Unidos da América.

Na prática, explicou Grispos, estes acordos permitem que os produtos nacionais entrem em mercados externos isentos de taxas aduaneiras e de quotas, tornando-os mais competitivos e promovendo a internacionalização da produção local.

Apesar da balança comercial continuar deficitária, o ano de 2024 registou uma melhoria, com uma redução do défice em 29%. As exportações cifraram-se em 7.709 milhões de dólares, representando uma queda de 3%, enquanto as importações atingiram 9.125 milhões, com um decréscimo de 9%. No entanto, os mercados preferenciais absorveram apenas 49% do total das exportações moçambicanas.

A conferência, que decorreu sob o lema “Diversificar e aumentar as exportações no mercado preferencial”, procurou reforçar o papel estratégico da região norte nas dinâmicas de comércio regional e continental.