O sector da Saúde, em Nampula, assume estar sem capacidade para realizar a vigilância epidemiológica no distrito de Memba, necessária para o controlo da cólera que eclodiu naquela região da província.
Esta situação resulta, supostamente, devido a falta de contacto com o pessoal de saúde destacado no terreno, devido à instabilidade gerada pelos ataques e incursões de indivíduos armados, presumivelmente, pertencentes a grupos terroristas que actuam na vizinha província de Cabo Delgado.
A Directora Provincial da Saúde em Nampula, Selma Xavier, confirmou esta terça-feira a perda do controlo da vigilância epidemiológica, durante uma conferência de imprensa. A responsável explicou que o sector está há três dias sem dados sobre a incidência da cólera — também conhecida como doença das mãos sujas e altamente contagiosa — que eclodiu em Outubro último naquele distrito.
“Não temos dados reportados a partir do distrito de Memba. Perdemos o contacto e deixámos de fazer o controlo da vigilância, porque a maior parte da população, incluindo os profissionais de saúde, já não se encontra no distrito”, explicou Xavier.
A dirigente acrescentou que, actualmente, as pessoas que fogem de Memba encontram refúgio nos distritos de Eráti, Nacala-à-Velha, Nacala-Porto e, em menor número, em Meconta.
Garantiu ainda que o sector da Saúde está a trabalhar em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), nos centros de acolhimento, no sentido de rastrear sintomas de diarreias e sarampo em adultos e crianças.
“Estamos igualmente a trabalhar com o sector das Obras Públicas para assegurar o abastecimento de água e o saneamento do meio nos locais onde se concentram as famílias deslocadas. Pretendemos, com estas acções, prevenir a ocorrência de doenças hídricas e outras”, assegurou Xavier. Os dados disponíveis antes do deslocamento massivo da população indicavam que o distrito de Memba registava um cumulativo de 217 casos de cólera, incluindo dois óbitos.
