Existem falhas na disponibilização de medicamentos aos doentes que procuram cuidados sanitários no Centro de Saúde 25 de Setembro, na cidade de Nampula, apesar da existência de fármacos no depósito daquela unidade sanitária.
O paradoxo foi constatado pelo governador de Nampula, Salimo Abdula, na manhã de ontem, durante uma visita surpresa que efectuou àquela unidade sanitária, instantes depois do seu desembarque no aeroporto local.
No centro de saúde, Abdula percorreu diferentes sectores e manteve contacto directo com os utentes que aguardavam pelo atendimento.
Foi na sequência deste “bate-papo” com os pacientes que ouviu relatos reiterados sobre a alegada inexistência de medicamentos essenciais, incluindo fármacos para o tratamento da diabetes e analgésicos, como o paracetamol.
“Pelo menos dez pacientes disseram-me que tinham sido informados, na farmácia do centro de saúde, que não havia determinados medicamentos, tendo sido aconselhados a procurá-los em farmácias privadas”, disse Abdula.
Perante as queixas, solicitou a apresentação de receitas médicas para confirmar as informações, tendo constatado que os documentos reforçam a indicação de que os medicamentos prescritos não tinham sido fornecidos pela unidade sanitária.
Para esclarecer a situação, o governador dirigiu-se ao depósito de medicamentos, onde foi informado de que os fármacos em causa constavam do stock existente. A discrepância entre o que estava armazenado e o que era comunicado aos pacientes indignou o governador, que, na ocasião, exigiu explicações imediatas por parte da direcção daquela unidade sanitária e dos responsáveis da farmácia.
“Não é aceitável que a população seja orientada a comprar os medicamentos fora, enquanto estes existem”, disse Abdula, orientando para o atendimento imediato dos pacientes nessa situação.
O governador considerou a situação como sendo grave, sublinhando que falhas na gestão interna podem comprometer a confiança da população em relação aos serviços prestados pelo sector da Saúde.
Durante a visita, o governador reforçou a necessidade de maior responsabilidade, ética profissional e humanização no atendimento, alertando que a negligência não será tolerada. Apelou ainda aos profissionais de saúde para que assumam o compromisso de servir com transparência e dedicação e, aos utentes, encorajou a denúncia de quaisquer situações de mau atendimento ou irregularidades, garantindo que o Governo provincial está aberto a agir sempre que forem apresentados factos concretos.
