As mulheres jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social, baseados em Nampula, que, na sexta-feira da semana passada, estiveram reunidas para a “radiografia” dos problemas que têm enfrentado no exercício das suas actividades quotidianas, apontaram o assédio sexual, moral, bem como a conciliação da vida profissional com a familiar, como alguns dos principais desafios.
Segundo Adina Sualehe, secretária para a área de formação das jornalistas em Nampula, os casos de assédio são vividos dentro e fora das redacções, mais concretamente em contacto com as fontes, que, ao invés de fornecerem a informação, tratam de assediar as escribas.
Todavia, segundo admitiu, a questão ainda é subnotificada. Aliás, de acordo com Sualehe, é por conta disso que não existem dados disponíveis como em outras profissões, facto que dificulta a obtenção de informações precisas.
Segundo ela, tal deve-se à alegada cultura do silêncio que ainda afecta as mulheres jornalistas, pese embora existam mecanismos de denúncia.
“Apesar disso, os casos de assédio na classe ainda são raramente denunciados, embora as discussões revelem a sua ocorrência. Através desta iniciativa, espera-se que os responsáveis por estes actos, tanto nas redacções quanto fora delas, sejam denunciados para subsequente responsabilização”, sustentou Sualehe.
Enfatizou a importância da apresentação de provas, como mensagens ou testemunhos de colegas presentes em situações de assédio, como elemento fundamental para qualquer denúncia.
Disse ainda que um outro tema debatido no encontro tem a ver com os desafios de conciliação entre o trabalho e a família, bem como a violência baseada no género.
“O tema foi considerado relevante, dada a sua complexidade. Historicamente, o jornalismo foi sempre visto como sendo uma profissão predominantemente masculina, mas hoje observa-se, com satisfação, o aumento da presença feminina. Contudo, a discussão sobre a conciliação entre família e trabalho é crucial, porque nem sempre tem sido fácil gerir esta situação”, disse Sualehe.
Sobre a violência baseada no género, a fonte disse que as mulheres jornalistas são parte integrante da sociedade, daí que, por vezes, têm sido vítimas deste fenómeno social nos seus relacionamentos. O encontro, inserido nas comemorações do mês da mulher, iniciado a 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, seguido de 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana, e associado ao 11 de Abril, data do aniversário da criação do Sindicato Nacional de Jornalistas, serviu de momento para partilha de experiências, uma vez que, segundo foi dito na ocasião, algumas já vivenciaram os problemas acima mencionados.
