A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, acaba de advertir que será implacável contra todos os indivíduos que têm estado a espalhar informações que não correspondem à verdade, alegando a existência de grupos de pessoas que fazem “desaparecer” os órgãos genitais masculinos de outrem por meio de um simples contacto físico.
Falando aos jornalistas nesta segunda-feira, o chefe do Departamento de Relações Públicas no comando provincial da PRM em Nampula, Dércio Samuel, explicou que a corporação já registou 16 casos de desinformação sobre a matéria, com 10 pessoas já detidas, ocorridos nos bairros sob jurisdição da 1.ª, 2.ª, 3.ª, 7.ª e 8.ª esquadras.
Ao nível dos distritos, os casos ocorreram em Nacala, Meconta, Moma, Angoche, Eráti e Monapo, onde foram detidas 14 pessoas.
De acordo ainda com os dados partilhados pela corporação, por conta dos distúrbios decorrentes dos actos de desinformação, duas pessoas perderam a vida nos distritos de Eráti e Monapo, e outras 8 contraíram ferimentos, entre graves e ligeiros, na cidade de Nampula, tendo sido encaminhadas ao Hospital Central de Nampula (HCN) para observação e tratamento médico.
Lamentavelmente, segundo a fonte, os actos de agressão e linchamento dos supostos autores pelo “desaparecimento” dos órgãos genitais envolvem crianças, que, segundo ele, são alegadamente aliciadas para o efeito.
“Para os casos que ocorreram ao nível da província de Nampula, devo dizer que há suspeita de existência de pessoas que estão a tirar algum proveito. Estamos a investigar e prometemos trazer as provas disso que estamos a dizer”, assegurou Samuel.
A fonte advertiu que os envolvidos nos actos de espancamento e morte dos supostos indivíduos que fazem “desaparecer” os tais órgãos genitais de outros serão detidos e responsabilizados pelos órgãos de administração da justiça, caso se prove que fizeram justiça pelas próprias mãos.
“A justiça pelas próprias mãos constitui crime no nosso ordenamento jurídico moçambicano, por isso, se as pessoas suspeitam de alguém que esteja a fazer desaparecer órgãos genitais, devem apresentá-lo às autoridades competentes para os devidos efeitos”, disse Samuel.
Entretanto, um dos detidos pela PRM, em conexão com a desinformação, contou à imprensa que, ao apontar o “desaparecimento” dos seus órgãos genitais, foi ao HCN, onde, no posto policial ali existente, os agentes afectos o levaram à casa de banho, onde alegadamente “constataram” que o seu órgão genital não estava conforme.
“Um policial tirou fotos e as mesmas mostram que o meu sexo não estava bem, mas agora já estou bem”, contou a “vítima”. Segundo psicólogos, o alegado “sumiço” dos órgãos genitais, que na verdade é um encolhimento, trata-se de uma síndrome de Koro, um transtorno dissociativo cultural caracterizado por crenças intensas e angustiantes de retração dos órgãos genitais para o interior do abdómen.
