HCN vence “batalha” contra tumores gigantes

HCN vence “batalha” contra tumores gigantes

Na semana passada, duas cirurgias de elevada complexidade marcaram a equipa do Hospital Central de Nampula (HCN). Uma jovem de 26 anos e uma idosa de 68 chegaram ao bloco operatório com tumores gigantes, de cerca de 15 e mais de 20 quilogramas, respectivamente. Horas depois, saíram da sala de operações com uma nova esperança de recuperação.

Os dois casos ilustram uma realidade cada vez mais frequente naquela unidade sanitária. Nos primeiros seis meses deste ano, o HCN realizou 75 cirurgias a pacientes com tumores, de um total de 211 intervenções cirúrgicas electivas.

O médico residente do HCN, Vaniltom Nacuna, revelou os dados esta terça-feira, em conferência de imprensa, acrescentando que só na semana passada foram efectuadas 13 cirurgias electivas, das quais seis relacionadas com tumores.

“Foi uma cirurgia muito desafiadora. No caso da jovem, o tumor infiltrava o baço e parte do intestino. Felizmente, a equipa esteve preparada e conseguiu resolver o caso”, afirmou.

Relativamente à paciente de 68 anos, proveniente do distrito de Eráti, Nacuna explicou que a mulher convivia com a doença há mais de um ano, e demorou de chegar ao Hospital Central de Nampula devido às dificuldades de transporte e à falta de recursos financeiros.

Antes da intervenção, o caso foi analisado em conjunto pelas equipas de Cirurgia e Ginecologia, para determinar a origem da massa tumoral e definir a abordagem mais adequada.

A cirurgia prolongou-se por mais de quatro horas, devido à dimensão do tumor e à sua infiltração em parte do estômago e do intestino grosso.

“Foi uma cirurgia complexa, mas terminou com sucesso. Neste momento, a paciente encontra-se em recuperação e aguardamos o resultado da anatomia patológica para determinar se será necessário avançar com tratamentos complementares, como a quimioterapia”, explicou o médico. Segundo Vaniltom Nacuna, a maioria dos doentes submetidos a este tipo de cirurgia é proveniente das províncias de Nampula, Cabo Delgado, Niassa e Zambézia, chegando muitas vezes ao hospital em estado avançado da doença, devido às dificuldades de acesso aos cuidados especializados.