O Mercado do Peixe do bairro dos Belenenses, inaugurado com pompa e circunstância a 14 de Agosto deste ano, no âmbito das celebrações dos 70 anos da cidade de Nampula, está a enfrentar um problema que ameaça comprometer o propósito para o qual foi construído pois, os vendedores recusam-se a ocupar as bancas.
Avaliada em mais de 70 milhões de meticais, a infra-estrutura dispõe de 224 bancas, uma sala de processamento de pescado e espaços destinados à venda de mariscos e hortícolas. Dois meses depois da inauguração, porém, muitas das bancas permanecem vazias, enquanto dezenas de vendedores continuam a comercializar peixe no exterior, entre lama, água estagnada e lixo.
A reportagem do Wamphula Fax esteve no local e encontrou dois problemas apontados pelos vendedores, nomeadamente as condições de higiene dentro do mercado e a falta de movimento de compradores.
Marta Júlio, uma das vendedoras entrevistadas, queixa-se das condições de saneamento da infraestrutura.
“O nosso mercado está bonito, mas está sujo. A mesma água que vês aqui fora está a sair lá dentro sempre. Limpamos, mas a sujidade não acaba, cheira mal. Não sabemos onde passa a água e onde se acumulou”, disse.
Mas, para os vendedores, o problema não se resume às condições de higiene. A falta de clientes no interior do mercado é apontada como uma das principais razões para a permanência no exterior.
“No início havia movimento, quando foi inaugurado. Depois vimos que o movimento ficou fora. As pessoas que compram peixe de 50 meticais não entram lá dentro. Pensam que o peixe lá dentro é caro. Já se acostumaram a comprar aqui fora”, explicou Marta.
Segundo Marta, esta situação acaba por criar prejuízo, porque quem fica dentro perde clientes, enquanto quem vende fica beneficiado.
“Apelamos ao Município para fiscalizar mais as actividades, ou seja, se é para ficarmos dentro, temos que ser todos. Não pode uns ficarem fora e outros dentro. Quem fica dentro sempre quebra, o peixe não tem tido saída”, desabafou a comerciante.
Para Pedro Coressa, comerciante de peixe, existe ainda um problema relacionado com o próprio desenho das bancas. Segundo afirma, os espaços disponíveis não respondem às necessidades dos vendedores que trabalham com grandes quantidades de pescado.
“Lá dentro o problema são as bancas. São bancas pequenas que só servem para quem faz levantamento connosco. Nós, que somos negociantes grandes, que trazemos muito peixe, com escoamento grande, não conseguimos entrar ali. As bancas não nos servem”, afirmou.
Para Coressa, o Município acertou na construção da infraestrutura, mas não dimensionou as bancas de acordo com a realidade do comércio local.
“O Município não falhou em construir, mas falhou no tamanho das bancas. Por isso preferimos vender aqui fora, no normal, mesmo com lama. Aqui há movimento, lá dentro os compradores não entram”, concluiu.
A situação também levanta uma questão mais ampla sobre a utilização das infraestruturas comerciais construídas pelo Município. Segundo informação avançada pela autarquia, existem na cidade mercados que se encontram total ou parcialmente abandonados, enquanto vendedores continuam a ocupar ruas, passeios e bermas de estradas em zonas de maior circulação.
Na Avenida do Trabalho e na Avenida Paulo Samuel Kankhomba, por exemplo, a presença de vendedores nas vias públicas continua a ser visível, precisamente em locais onde conseguem maior contacto com os transeuntes.
