Com buscas ainda em curso, pelo menos 91 corpos sem vida foram contabilizados até ao fim da tarde de ontem, como resultado do naufrágio de uma embarcação de pesca, mas que transportava cerca de 130 pessoas, fazendo a travessia entre o posto administrativo de Lunga, em Mossuril, e a sede do distrito da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, na tarde deste Domingo, 7 de Abril.
A autoridades na Ilha de Moçambique explicam que a tragédia teve como origem uma aparente desinformação, pois estava a circular entre os populares em Lunga a comunicação segundo a qual a cólera estava a matar uma média de 15 pessoas por dia e em fracção de segundos, depois que a pessoa era contaminada.
“As pessoas em Lunga ficaram aterrorizadas e todas queriam fugir para lugares aparentemente seguros”, contou uma fonte a partir da Ilha de Moçambique.
A administradora marítima do distrito da Ilha de Moçambique, Fahara Luis Faquira, confirmou que foi assim que uma embarcação de pesca foi mobilizada para transportar as pessoas que estavam a fugir para não serem contaminadas pela cólera.
A embarcação com uma capacidade estimada para 100 pessoas, carregou mais do que a sua lotação e no percurso decidiu atracar em Quissanga, uma zona de risco para a navegação e quando tentava descarregar os passageiros uma onda gigante embateu no barco que, de imediato, naufragou.
Fahara descartou a possibilidade de estar na origem do incidente o mau tempo, pois ao longo de todo dia de Domingo a temperatura era boa para a navegabilidade.
Fala-se de alguns sobreviventes, mas ainda sem muita exatidão, pois o sinistro ocorreu por volta das 13 horas e só cerca de três horas depois foram alertadas as autoridades e fizeram-se ao local.
Por exemplo, existe a informação de que cinco pessoas foram levadas as unidades sanitárias, mas o administrador do distrito da Ilha de Moçambique, Silverio Nauaito, diz que apenas duas dessas pessoas foram identificadas.
Também há informações de populares que apontam para mais de dez pessoas que sobreviveram e já estavam no convívio familiar facto que as autoridades ainda tentam confirmar.
Suspeita-se que o número de mortes venha a crescer pois com os meios locais as buscas estão em curso e o número de desaparecidos é também desconhecido.
O clima de luto e angustia dominava ontem a Ilha de Moçambique e as regiões de Lunga e Quissanga.
