Mesmo antes que, oficialmente, o governo decrete, a Cidade da Ilha de Moçambique em particular e o país em geral estão de luto pela tragédia que afectou directamente várias famílias em face do número de mortes, que até o final do dia de ontem atingiu as 98 pessoas, vitimas do naufrágio ocorrido na tarde de Domingo.
Ontem estavam a decorrer as cerimónias fúnebres e o ambiente era desolador, não só pelo número elevado de pessoas que perderam a vida, mas também, por um lado, porque entre as mortes estavam muitas crianças e vários membros da mesma família.
“Estamos a apoiar as famílias na deslocação dos corpos sem vida de um lugar para outro, através de toda equipa do conselho municipal e do governo do distrito, na medida em que as pessoas vão solicitando até a realização das cerimónias fúnebres”, disse Silvério Nawaito, administrador do distrito da Ilha de Moçambique.
Dados actualizados no final da tarde de ontem, indicavam que o número de mortes subiu para 98, havendo 18 sobreviventes e 14 pessoas ainda desaparecidas. De entre as mortes a maioria são crianças e mulheres que tiveram prioridade no embarque naquela embarcação de pesca que usa motor.
“Os homens saíram em embarcações a vela que levam mais tempo na travessia. Por isso a ajuda para a socorrer as vitimas foi deficiente, pois entre os 130 ocupantes mais de 90% eram crianças e mulheres”, disse uma testemunha.
Aliás, a fonte diz que algumas pessoas socorridas chegaram a terra firme com vida, mas não tinham ninguém para as reanimar e foram perdendo a vida na areia da praia.
As buscas pelos desaparecidos continuaram ao longo de todo o dia de ontem, mas a esperança de encontrar sobreviventes praticamente é nula.
A administração marítima reafirma que a embarcação não estava autorizada a fazer transporte de passageiros, pois ela foi licenciada para a pesca.
Recorde-se que, o naufrágio aconteceu quando uma embarcação transportando consigo cerca de 130 pessoas, contra 100 da sua capacidade estimada, foi colhida por uma onda gigante, na zona de Quissanga, considerada de alto risco para a navegação marítima, quando pretendia atracar.
A embarcação de pesca, segundo apurou o nosso jornal, foi mobilizada para transportar as pessoas que fugiam do posto administrativo de Lunga, em Mossuril, para Ilha de Moçambique, supostamente para não serem contaminadas pela cólera, doença que devido a desinformação instalada naquela região, estaria supostamente a matar uma média de 15 pessoas por dia.
