Um total de 30 jornalistas, afectos a diferentes órgãos de comunicação social sediados em Nampula, esteve reunido ontem com o objectivo de aprimorar estratégias para abordar casos de violação à liberdade de imprensa e de expressão durante os processos eleitorais.
O encontro, promovido pelo MISA-Moçambique, proporcionou aos participantes uma capacitação sobre direitos humanos. A iniciativa surge na sequência do aumento de episódios que limitam o exercício pleno da actividade jornalística, bem como o trabalho de defensores dos direitos humanos, sobretudo durante períodos eleitorais.
Durante a sessão, o representante do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, Ivandro Gonçalo, destacou o papel crucial dos jornalistas na pacificação do país:
“A classe jornalística é privilegiada, pois tem trabalhado arduamente na fiscalização das situações que ocorrem no país, em todas as áreas e, de forma particular, no contexto eleitoral. Enquanto comissão, trabalhamos com a vossa classe para promover e consciencializar sobre a necessidade de um jornalismo mais rigoroso e equilibrado”, afirmou Gonçalo.
O responsável salientou ainda que é fundamental que os profissionais da comunicação saibam denunciar casos de violência de que sejam alvo, de modo a travar tais práticas.
“Com esta formação, as nossas expectativas são elevadas, pois os jornalistas devem dominar as melhores formas de actuação em matérias ligadas aos direitos humanos no contexto eleitoral. Aliás, é igualmente necessário escutar esta classe, para que, em conjunto, possamos desenhar estratégias mais eficazes de prevenção e protecção, especialmente dos cidadãos que exercem o direito de voto”, acrescentou.
Segundo Gonçalo, de 2024 até ao momento, a Comissão registou cerca de 15 casos de jornalistas vítimas de intimidações ou ameaças de morte.
Por seu turno, o presidente do núcleo provincial do MISA em Nampula, Aunício da Silva, sublinhou a importância de uma reflexão profunda sobre como proteger os direitos humanos no seio da classe jornalística:
“O que temos constatado é que os jornalistas continuam a ser vítimas de intimidações e ameaças, o que compromete o seu desempenho. Acreditamos que com estas acções de capacitação a situação poderá melhorar”, afirmou.
