Os jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social na cidade de Nampula manifestaram, no último sábado, expectativa quanto à aprovação da carteira profissional prevista no novo pacote legislativo da Comunicação Social, recentemente aprovado pela Assembleia da República.
Segundo os escribas, a medida é vista como essencial para dignificar a profissão, travar o exercício ilegal do jornalismo e reforçar a qualidade do trabalho jornalístico.
Os jornalistas falavam momentos depois da deposição de uma coroa de flores na praça dos heróis moçambicano, no contexto das cerimónias centrais dos 48 anos da criação do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) e do dia do Jornalista Moçambicano.
Para Arlindo Fidalgo Júnior, da Rádio Moçambique, “muitos dizem que são jornalistas, mas poucos trabalham com precisão e rigor”, salientando que a introdução da carteira profissional poderá, igualmente, contribuir para melhorar as condições salariais dos profissionais.

O jornalista Luís Rodrigues, da HAQ TV, defendeu a criação de instituições de formação específicas na área do jornalismo, alertando para a entrada na profissão de pessoas sem conhecimento dos fundamentos legais e éticos da actividade.
Na mesma linha, Agostinho Miguel, do jornal NGANI, criticou o envio de convites para coberturas jornalísticas directamente aos profissionais, através das redes sociais, em detrimento das redacções, considerando que tal prática fragiliza a organização editorial e abre espaço para irregularidades.

Contudo, o secretário-geral da organização, Faruco Sadique, defendeu um jornalismo sério e responsável como condição para assegurar maior abertura das fontes de informação.
“O acesso às fontes é uma luta permanente. Quando mostramos que fazemos bom jornalismo, a abertura é maior”, afirmou.
O dirigente acrescentou ainda que o novo quadro legal representa um passo importante para reforçar a liberdade de imprensa e melhorar as condições laborais dos profissionais, prestando homenagem aos jornalistas que contribuíram para a consolidação da profissão no país.
