Atendidos 8 casos suspeitos de síndrome de Koro no HCN

Atendidos 8 casos suspeitos de síndrome de Koro no HCN

O Hospital Central de Nampula (HCN) atendeu, nas últimas 24 horas, 8 casos suspeitos de síndrome de Koro, um transtorno dissociativo cultural caracterizado por crenças intensas e angustiantes de retração dos órgãos genitais para o interior do abdómen, facto que tem sido interpretado por algum sector da sociedade como resultante de actos de feitiço ou magia negra, situação que está a provocar agressões e mortes de alguns supostos feiticeiros, alegadamente responsáveis após contacto físico com as “vítimas”.

Segundo o psicólogo clínico do HCN, Ibraimo Culabo, dos 8 casos atendidos, 2 acusaram positivamente retração genital.

“O sumiço dos órgãos genitais, que na verdade é um encolhimento, resulta daquilo que denominamos por síndrome de Koro, um transtorno dissociativo cultural caracterizado por crenças intensas e angustiantes de retração dos órgãos genitais para o interior do abdómen”, disse Culabo.

De acordo com o psicólogo, os sintomas incluem ansiedade e pânico agudos, associados a um medo persistente da retração.

Segundo ele, as possíveis causas incluem vulnerabilidade, stress e, em alguns casos, crenças relacionadas à magia africana ou magia negra, que podem gerar pensamentos intrusivos e persistentes, desencadeando a crise em alguns indivíduos.

A abordagem no contexto hospitalar, em especial na saúde mental, envolve uma avaliação etnopsiquiátrica, que considera as crenças socioculturais do paciente.

A partir dessa avaliação, são definidas as intervenções psicológicas necessárias para desconstruir esses pensamentos e auxiliar o indivíduo a retomar a sua vida normal.

Como medida de prevenção, apelou à comunidade para que evite a disseminação de informações infundadas, pois, segundo ele, isso pode agravar as crises, acrescentando que, em caso de ocorrência, é fundamental buscar ajuda nas unidades de saúde mais próximas.

“Realizamos a avaliação de indivíduos suspeitos, dos quais não foi verificada a retração genital. Observamos, no entanto, alterações comportamentais, o que chamamos de pânico colectivo. Diante da situação, é comum a ocorrência de dissonância cognitiva, que pode levar ao desencadeamento das crises em alguns pacientes”, disse Culabo.

Nas últimas 24 horas, segundo indicou, o HCN atendeu oito casos, dos quais 2 pacientes foram suspeitos de sofrer de retração genital.

Após avaliação médica, segundo a fonte, foi constatada a ausência de alterações na região genital, porém os pacientes apresentavam alterações comportamentais, sendo que, com o apoio psicológico e psicossocial, recuperaram-se.

Em relação ao histórico de atendimentos, o nosso interlocutor avançou que a síndrome de Koro tem sido observada, sendo que, nas últimas 72 horas, foram registados dois casos suspeitos. Após avaliação médica, psicológica e intervenção, os indivíduos retornaram ao estado normal. “Gostaria de esclarecer que a síndrome de Koro é um transtorno dissociativo cultural. Embora a retração dos órgãos genitais não ocorra fisicamente, o pânico colectivo pode levar o cérebro a processar informações de medo e morte, o que pode gerar sensações e alterações físicas. Recomendamos que, em caso de pânico, procurem informações junto de fontes confiáveis e busquem auxílio médico”, instou Culabo.