Insegurança alimentar ameaça 18 mil famílias em Memba

Insegurança alimentar ameaça 18 mil famílias em Memba

Estima-se que cerca de 18 mil famílias nos postos administrativos de Chipene e Mazua, no distrito de Memba, província de Nampula, enfrentam actualmente uma situação de insegurança alimentar, devido ao retorno tardio às suas zonas de origem após os ataques terroristas de 2025, que impediu a realização atempada da sementeira.

A informação foi partilhada em entrevista, esta quarta-feira, pelo administrador distrital de Memba, Manuel Cintura, que revelou que a maioria da população já regressou às suas zonas de origem, embora ainda exista um número insignificante de pessoas deslocadas.

No que diz respeito ao apoio agrícola, a oferta de insumos nunca é suficiente para responder à dimensão das necessidades.

Cintura referiu ainda que a distribuição de mantimentos, como farinha e arroz, é feita por rotação entre os agregados familiares, o que torna o processo desafiante.

“Devido ao regresso tardio, as colheitas foram reduzidas, mas estamos a apostar na segunda época agrícola, aproveitando a humidade das baixas dos rios. Como alternativa, temos contado com o auxílio do Programa Mundial de Alimentação (PMA) e incentivamos o cultivo de hortícolas, como tomate e repolho, para garantir o sustento básico”, garantiu.

Importa salientar que, em Memba, os terroristas, para além de provocarem o problema acima referido, também destruíram habitações no bairro de Majupa, moageiras e a Escola Básica de Natuco. Actualmente, o administrador diz que o Governo está a utilizar tendas em Natuco para assegurar a continuidade do ensino.

No que tange à exploração de recursos naturais, Memba possui ocorrências de ouro, mas, infelizmente, não dispõe de empresas mineradoras estruturadas.

Segundo o administrador, a actividade é realizada por duas cooperativas locais e, sobretudo, através da exploração artesanal conduzida por jovens.

“Reconhecemos os riscos ambientais, como a poluição das águas e a instabilidade dos solos. Embora, felizmente, ainda não tenhamos registado desabamentos com vítimas mortais, estamos atentos à necessidade de maior fiscalização para mitigar estes perigos”, garantiu.