Dez mil crianças afectadas pelo terrorismo recebem apoio em Memba e Eráti

Dez mil crianças afectadas pelo terrorismo recebem apoio em Memba e Eráti

Cerca de 10 mil crianças dos distritos de Eráti e Memba, na província de Nampula, estão a beneficiar de apoio nas áreas de educação e protecção, no âmbito de dois projectos de emergência implementados pela Plan International nessas regiões .

Os projectos, designados Restore e Reach, procuram responder a algumas das consequências deixadas pelo deslocamento de famílias devido ao terrorismo, entre elas a interrupção da escolaridade, a falta de documentação e a necessidade de acompanhamento psicossocial.

Nos Espaços Amigos da Criança, criados pela organização nas comunidades abrangidas, os menores encontram actividades de aprendizagem e recreação, com exercícios de leitura, escrita e numeracia, jogos e canto. É também nestes espaços que algumas crianças voltam a ter contacto com a aprendizagem depois de longos períodos afastadas da escola.

Um dos casos destacados por Damião Mongoi, gestor da área de programas da Plan International em Nampula e Zambézia, é o de uma criança de 13 anos que teve ali a oportunidade de começar a aprender o alfabeto.

“Temos crianças que, pela primeira vez, tiveram a oportunidade de iniciar a aprendizagem. Temos o caso de uma criança de 13 anos que começou a aprender o alfabeto num espaço amigo da criança”, contou Mongoi.

Para as crianças que continuam impossibilitadas de frequentar regularmente as escolas, sobretudo em zonas onde persiste o risco de ataques, a organização recorre a brigadas móveis para ministrar aulas de recuperação nas próprias comunidades.

Nas zonas consideradas estáveis, são desenvolvidos programas de aprendizagem acelerada para menores que perderam períodos de escolarização. As equipas identificam as matérias que não foram assimiladas e o tempo de aprendizagem perdido, a partir daí preparando actividades destinadas a recuperar os conteúdod.

A intervenção envolve igualmente professores e facilitadores, através da formação de formadores, incluindo profissionais ligados ao Instituto de Formação de Professores, que posteriormente capacitam os docentes envolvidos nos programas de aprendizagem acelerada.

Outro problema enfrentado pelas crianças deslocadas é a falta de documentação. Neste domínio, está em curso uma campanha de registo de nascimento que deverá abranger cerca de oito mil crianças, incluindo casos em que os próprios pais não possuem documentos necessários para efectuar o registo dos filhos.

Na gestão de casos, as equipas acompanham crianças que se encontram fora do sistema de ensino e procuram encaminhá-las para a escola.

Segundo Mongoi, várias já foram reintegradas, enquanto outras continuam sob acompanhamento. Há ainda situações que exigem a reunificação familiar. Um dos casos em acompanhamento envolve duas crianças de Memba cujas famílias se encontram em Chókwè, na província de Gaza. Estão em curso diligências para que possam reencontrar os seus familiares.

“Temos gestores de casos em cada comunidade que fazem a identificação, o registo das crianças vulneráveis e o encaminhamento para os serviços de referência, de acordo com as necessidades de cada caso”, explicou Mongoi.

O projecto Restore tem duração de seis meses e decorre até Outubro, enquanto o Reach será implementado durante dois anos, sendo que a componente de protecção terá a duração de um ano e a de educação dois anos.

As duas iniciativas são desenvolvidas em parceria com outras organizações. O Restore tem a CARE como líder do consórcio, em parceria com a Plan International, enquanto o Reach envolve, entre outras entidades, a Save the Children, a Plan International e a Help Code.