O antigo ministro da Saúde, Ivo Garrido, considera urgente a realização de um estudo aprofundado para identificar as causas e os factores que estão na origem da elevada incidência de casos de ruptura uterina na província de Nampula.
Garrido falava na semana passada, durante uma reunião de coordenação institucional entre o sector da Saúde e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), promovida pelo governador da província de Nampula, Eduardo Abdula. No encontro participaram igualmente Nazira Abdula, na qualidade de antiga ministra da Saúde, e outros intervenientes do sector.
Segundo dados apresentados no encontro, durante o primeiro semestre deste ano, o HCN registou 103 casos de ruptura uterina, dos quais 49 resultaram em mortes maternas.
Para Garrido, um dos factores determinantes para reverter este cenário é a melhoria da qualidade do atendimento. O antigo ministro criticou igualmente a ocorrência de casos de ruptura uterina em pacientes menores de idade, considerando a situação inadmissível.
“Devemos priorizar a prevenção e assumir a responsabilidade que recai sobre nós, profissionais de saúde. É urgente investir na capacitação contínua e na valorização dos nossos quadros”, apelou.
Em relação às infra-estruturas, Garrido concordou com a proposta de ampliação das enfermarias de maternidade e dos blocos operatórios, apresentada pelo sector da Saúde, com o objectivo de minimizar o défice de infra-estruturas nesta área.
Para o efeito, propôs a realização de um diagnóstico multissectorial célere, com vista à apresentação ao governador de um plano de acção estruturado a curto, médio e longo prazo.
Embora reconheça que a implementação destas medidas exige tempo e recursos financeiros, Garrido defendeu que algumas acções, como a formação de pessoal e a mobilização de parcerias, podem ser iniciadas de imediato.
O antigo ministro colocou-se à disposição das autoridades para colaborar, no prazo de uma semana, na elaboração da proposta técnica, sublinhando que o drama vivido pelas mulheres que frequentemente perdem os filhos, o útero e, por vezes, o seu futuro é incomparavelmente superior ao desgaste enfrentado pelas equipas de saúde.
Por fim, solicitou que a situação seja tratada como uma emergência provincial, alertando que, ao contrário de um desastre natural, este é um problema contínuo, que tende a agravar-se se não for combatido com rigor.
Por sua vez, Nazira Abdula, antiga ministra da Saúde, endossou as recomendações apresentadas e apelou à passagem à fase de execução, reforçando que a província dispõe de parceiros estratégicos capazes de oferecer o apoio necessário para enfrentar a situação.
Os parceiros de cooperação presentes manifestaram interesse em apoiar esta causa.
