Polícia acusa activista de tentar organizar marcha violenta

Polícia acusa activista de tentar organizar marcha violenta

Reagindo à tentativa frustrada de realização de uma marcha no último sábado, contra a escassez de combustível que originou uma onda de especulação dos preços nos postos de abastecimento informais, a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula afirma que os activistas e defensores dos direitos humanos pretendiam organizar uma manifestação violenta, frisando que o acto poderia culminar na alteração da ordem pública.

De acordo com a porta-voz da PRM em Nampula, Rosa Chauque, assim que a polícia tomou conhecimento da manifestação, enviou agentes ao local com o intuito de garantir a ordem e a tranquilidade públicas na região.

“Tratando-se de uma marcha que, segundo os indícios, poderia culminar em violência, a polícia foi mobilizada para o terreno com vista a garantir a ordem e a tranquilidade públicas. A nossa missão é reprimir toda e qualquer desordem que altere o normal funcionamento das actividades”, afirmou Chauque.

Na ocasião, a fonte explicou que a detenção do activista ocorreu após este alegadamente tentar agredir o comandante distrital da polícia em Nampula, depois de ter sido sensibilizado a abandonar o local onde a marcha teria início.

“Ele, neste caso o activista e também mentor da marcha, tentou agredir o comandante distrital da polícia. Ao apercebermo-nos de que se tratava de uma situação de desordem, recolhemo-lo à esquadra, onde foi sensibilizado a regressar à sua residência”, explicou a porta-voz.

Apesar disso, Rosa Chauque sublinhou que a polícia não permitirá qualquer acto de desordem que ponha em causa a ordem e a segurança dos cidadãos.

“Aproveitamos esta ocasião para informar que a polícia não permitirá que a desordem ganhe espaço na nossa sociedade. Temos acompanhado diversas manifestações pacíficas, mas actos de desordem não serão tolerados”, advertiu.

Importa referir que o activista Gamito dos Santos foi detido por algumas horas na 1.ª Esquadra de Nampula, tendo sido libertado cerca de quatro horas depois.

Durante o período em que esteve detido, o activista afirma ter sido torturado por cerca de dez agentes da PRM, alegando ter contraído ferimentos ligeiros. Actualmente encontra-se sob observação médica e garante que irá mover um processo-crime contra os agentes envolvidos.