Vendedores informais exigem inclusão no processo de realocação

Vendedores informais exigem inclusão no processo de realocação

Os vendedores informais que exercem a sua actividade nos passeios das ruas e avenidas da cidade de Nampula exigem que o Conselho Municipal assegure que nenhum comerciante seja excluído do processo de transferência para os mercados formais, actualmente com pouca actividade.

A exigência foi manifestada durante uma conversa mantida com este jornal, na sequência do anúncio feito pela edilidade, que estabeleceu um prazo de dez dias, a contar de ontem, para que os vendedores abandonem voluntariamente os passeios e bermas da cidade.

Em Nampula, o comércio informal concentra-se, sobretudo, nas avenidas do Trabalho, Paulo Samuel Kankhomba, rua 3 de Fevereiro, Daniel Napatima e na zona dos Poetas, vulgarmente conhecida como Bombeiros. Nestes locais, a venda na via pública compromete a mobilidade de pessoas, bens e viaturas.

Para além de violar o Código de Posturas Municipais, a ocupação dos espaços públicos por vendedores informais prejudica a imagem urbana da cidade.

Ângelo Aniceto, vendedor de acessórios para telemóvel na avenida Paulo Samuel Kankhomba, defende que a edilidade deve garantir bancas condignas para todos os que forem retirados das ruas.

“Não estamos satisfeitos com a nossa retirada. Devem tirar-nos, sim, mas não nos deixar entregues à nossa sorte. Aqui na rua temos muito movimento de clientes e, nos mercados para onde nos querem levar, não há clientela e o negócio não corre bem”, lamentou, reconhecendo, no entanto, que a presença na via pública dificulta a circulação de peões.

João Anselmo, vendedor ambulante de bolachas e doces, receia que muitos colegas sejam prejudicados se não forem devidamente alocados. “Nós, vendedores ambulantes, somos muitos. Será que o município conseguirá albergar todos nas respectivas bancas?”, questionou.

Para Anselmo, a edilidade não pode ignorar que muitas famílias dependem da actividade informal para sobreviver.

Angelina, vendedora de comida, mostrou-se igualmente apreensiva com o processo. “Dependemos deste negócio para sustentar os nossos filhos. Algumas de nós não têm marido. Para onde iremos, se nos retirarem da rua?”, questionou, apelando a que a edilidade não desalojasse os vendedores sem garantir alternativas concretas.