Médicos Sem Fronteiras abandonam Mogovolas

Médicos Sem Fronteiras abandonam Mogovolas

Os trabalhadores da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), de carácter humanitário, destacados para o distrito de Mogovolas, em Nampula, decidiram não regressar àquela região, depois de terem escapado com vida e de verem o seu acampamento vandalizado, no final do ano passado, por um grupo de populares, na sequência da onda de desinformação sobre a origem da cólera.

O anúncio da recusa dos funcionários da MSF em regressar a Mogovolas foi feito esta terça-feira pelo director dos Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social de Mogovolas, Alimo Cheia.
“Vamos sentir a falta deles. Aliás, foram eles que ajudaram na construção e apetrechamento do nosso bloco operatório, no Centro de Saúde de Nametil”, recordou Cheia.

Recorde-se que, no final do ano passado, uma parte da população da vila de Nametil, sede do distrito de Mogovolas, decidiu atacar os escritórios e as residências dos colaboradores da MSF, por acreditar que estariam envolvidos na propagação dos micróbios causadores da cólera.

A província de Nampula foi o epicentro da eclosão do surto, que se alastrou a outros quatro distritos: Angoche, Larde, Murrupula e Nampula.

A acção forçou a paralisação das actividades da MSF, bem como das actividades do Centro de Saúde de Nametil.

Apesar de tudo, a organização manifestou disponibilidade para apoiar financeiramente a execução das obras de reabilitação daquele centro de saúde.

Segundo Cheia, está em curso a reposição do gerador eléctrico, que também foi vandalizado e incendiado, indispensável ao funcionamento do bloco operatório.

A fonte acredita que, com a reabilitação e retoma das actividades do centro de saúde e do respectivo bloco operatório, o distrito deixará de necessitar de transferir os casos de partos complicados para o Hospital Central de Nampula.