Multiplicam-se mortes por cólera em Nampula

Multiplicam-se mortes por cólera em Nampula

O sector da Saúde, em Nampula, registou, desde a eclosão do surto de cólera até ao momento, um cumulativo de 32 óbitos, na sua maioria ocorridos fora das unidades sanitárias, com 2.341 casos atendidos em toda a província, segundo dados tornados públicos nesta terça-feira, durante a reunião do comité multissectorial de combate às chamadas “doenças de mãos sujas”.

Segundo consta das estatísticas, grande parte dos óbitos ocorreu no distrito de Nacala-Porto, um dos mais afectados pela doença.

A directora provincial da Saúde, em Nampula, Selma Xavier, diz que, para além de Nacala-Porto, os distritos de Eráti, Memba e, muito recentemente, Monapo também estão afectados pela doença e que, na segunda-feira, foram recebidos os resultados das amostras enviadas ao Laboratório de Saúde, referentes a Nacala-a-Velha, Mogovolas, Mogincual e Liúpo, até então suspeitos.

O encontro multissectorial acima referido tinha como agenda a activação da equipa de resposta e a recolha de informações das diversas áreas da sociedade, visando estabelecer um conjunto de mecanismos que ajudem a conter a rápida propagação da doença.

Destacou a participação de líderes religiosos como parceiros fundamentais para o sucesso da luta que se está a travar, pois mantêm-se focos de desinformação sobre a origem da doença, particularmente em Nacala-Porto, Mogincual, Monapo e Memba.

No distrito de Monapo, o Centro de Saúde de Mecucu ficou temporariamente encerrado devido à desinformação de que os profissionais de saúde estariam envolvidos na “disseminação da cólera”.

“A equipa distrital, da qual fazia parte o médico-chefe, que na altura estava acompanhado pela Polícia da República de Moçambique e outros profissionais, sensibilizou a população e, felizmente, a situação voltou à normalidade”, disse Xavier. Para fazer face à situação de desinformação, o sector da Saúde está a trabalhar na difusão de informações sobre as medidas de prevenção do contágio, bem como no combate à cólera, nos centros de saúde de Mecucu e Ramiani, onde, segundo a fonte, a desinformação é grave.