Todas as semanas, cerca de 10 raparigas, menores de 18 anos de idade, dão entrada no Centro de Saúde 25 de Setembro, na cidade de Nampula, em trabalho de parto, algumas das quais chegam dos bairros circunvizinhos, enquanto outras são transferidas de diferentes unidades sanitárias, revelando uma realidade que se repete com frequência naquela maternidade.
Segundo o director da unidade, Benito Moiane, muitos destes casos estão, supostamente, associados às uniões prematuras que continuam a ocorrer nas comunidades. A fonte explica que a pouca idade das pacientes tem, em vários casos, resultado em complicações durante o parto, obrigando à transferência de algumas para o Hospital Central de Nampula.
Um dos episódios recentes envolveu uma menor de 13 anos que, devido a complicações, teve de ser encaminhada para aquela unidade de referência, onde foi submetida a uma cesariana.
“Infelizmente, continuamos a receber menores grávidas para partos, o que representa um grande desafio para os serviços de saúde, mas graças a Deus, temos ambulância, para levar as gestantes para o Hospital Central de Nampula”, afirmou Moiane.
Apesar deste cenário, a unidade sanitária tem vindo a reforçar acções de sensibilização junto das comunidades e utentes, com o objectivo de desencorajar as uniões prematuras e promover a saúde reprodutiva, numa tentativa de travar um ciclo que continua a marcar a vida de muitas raparigas.
A nossa reportagem sabe que, infelizmente, em Nampula, em alguns contextos familiares marcados por vulnerabilidade, as uniões prematuras acabam por ser toleradas ou incentivadas, por elas serem vistas como uma alternativa para reduzir dificuldades económicas.
