Dados preliminares de um estudo denominado “Food Leader”, expressão em língua inglesa que, traduzida para português, significa “Líderes em Alimentação”, implementado pela Faculdade de Ciências de Saúde da Universidade Lúrio (UniLúrio), em Nampula, em parceria com instituições congéneres de Nairobi, no Quénia, e Helsínquia, na Finlândia, revelam que o programa de alimentação escolar contribuiu com cerca de 25 por cento da ingestão de nutrientes como ferro, vitamina A, zinco e componentes energéticos nas crianças beneficiárias.
Os dados resultam de um estudo desenvolvido desde 2024 na Escola Básica de Iapala, no distrito de Ribáuè, interior da província de Nampula.
O estudo, que termina em Dezembro deste ano, refere que não foi possível recolher dados na Escola Básica de Naguema, no distrito costeiro de Mossuril, igualmente contemplada para beneficiar do programa de alimentação escolar, devido à falta de alimentos.
Segundo informações em nossa posse, o estudo abrange 160 alunos com idades compreendidas entre os 9 e os 13 anos.
O docente da Faculdade de Ciências de Saúde da UniLúrio e coordenador do projecto “Food Leader”, Almeida Machamba, explicou ontem, durante a apresentação da pesquisa, que o estudo tinha como objectivo avaliar a efectividade e o impacto do programa no estado e composição nutricional dos alunos.
Além disso, o estudo procurou avaliar a presença de micotoxinas nos produtos alimentares consumidos pelos alunos, no âmbito do programa de alimentação escolar, com vista a aferir a existência de substâncias tóxicas produzidas por fungos, que podem surgir nos alimentos devido ao calor e à humidade durante o processo de produção.
Entretanto, um dos aspectos que mereceu destaque foi o facto de 21 por cento das crianças abrangidas pelo estudo terem optado por não consumir os alimentos disponibilizados pelo programa.
“O nosso desafio é persuadir cada vez mais crianças a aderirem ao consumo dos alimentos providenciados no âmbito da alimentação escolar”, disse Machamba, reiterando que, do ponto de vista científico, a alimentação escolar contribui significativamente para a ingestão de ferro, energia, vitamina A e zinco.
Na mesma ocasião, o responsável afirmou que os resultados obtidos no estudo são suficientemente relevantes para incentivar a continuidade dos programas de alimentação escolar nas escolas dos distritos da província de Nampula.
Defendeu ainda a expansão do programa para outras escolas da província que actualmente não beneficiam da iniciativa.
Machamba explicou igualmente que, durante a realização do estudo, não foram detectadas anomalias graves, mas sim alguns desafios que precisam de atenção.
Segundo ele, há necessidade de o projecto “Food Leader” incorporar algumas recomendações feitas pelas comunidades, sobretudo no que diz respeito às práticas de conservação e preparação dos alimentos. “Porque, ao mesmo tempo que estes alimentos fornecem nutrientes e energia, também podem representar uma exposição à contaminação por micotoxinas, um outro aspecto que usamos como matéria de estudo”, sublinhou Machamba.
