Parteiras tradicionais acusadas de não referir parturientes em Anchilo

Parteiras tradicionais acusadas de não referir parturientes em Anchilo

Algumas parteiras tradicionais formadas pelo sector da saúde no distrito de Nampula para referir mulheres grávidas às unidades sanitárias são acusadas de não estar a colaborar, ao optarem por assistir as parturientes nas respectivas comunidades, alegadamente para evitar que percorram longas distâncias, com todos os riscos daí decorrentes.

“Estamos a falar de parteiras tradicionais, formadas e capacitadas pelo sector da saúde para identificar e aconselhar as mulheres grávidas a dirigirem-se à maternidade da unidade sanitária, para um parto seguro e condigno”, disse a responsável da sala de parto da maternidade do Centro de Saúde de Anchilo, no distrito de Nampula, Laurinda Muquelela.

Muquelela falava recentemente, durante a visita do governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, ao Centro de Saúde de Anchilo.

Na ocasião, Abdula questionou se a situação não estaria relacionada com o mau atendimento prestado pelos profissionais de saúde na maternidade daquela unidade sanitária, ao que a técnica de saúde negou.

“Se fosse por causa de mau atendimento, acredito que as parturientes dos bairros circunvizinhos não estariam a vir para esta unidade sanitária para os partos”, disse Muquelela, para quem, além do factor distância, alguns hábitos culturais contribuem para que determinadas parturientes optem por recorrer aos serviços das parteiras tradicionais.

Na ocasião, o governador recomendou à Direcção e aos serviços provinciais de saúde que averiguem a situação e apresentem, no prazo de sete dias, um relatório que, para além de apurar o que está a acontecer, apresente propostas de solução para a preferência de algumas mulheres grávidas em realizar partos fora das unidades sanitárias. A maternidade do Centro de Saúde de Anchilo realiza, em média, cinco partos por dia.