Hoje, 20 de Agosto, completam exactamente quatro meses desde que a cidade de Nampula entrou numa crise de combustível, sobretudo de gasolina, que transformou as bombas em pontos de longas esperas e incerteza para os automobilistas.
Quatro meses depois, a imagem mudou. As bichas que durante semanas chegaram a dominar as principais estações de serviço, praticamente, desapareceram, e com elas perdeu força um circuito paralelo que se alimentava da escassez – a venda informal e indiscriminada do produto.
A mudança não significa que o combustível tenha passado a estar disponível em todas as bombas e a qualquer momento. Na verdade, o que mudou foi a pressão sobre o produto, pois hoje, quando uma estação de serviço dispõe de combustível, a procura já não produz as filas que marcaram os meses anteriores.
O desaparecimento dos vendedores informais é uma das marcas mais visíveis desta transformação. Durante a crise, quem não conseguia abastecer nas bombas encontrava nas ruas uma alternativa, embora a preços muito superiores, que variavam entre 150 e 200 Meticais.
Foi precisamente contra esse circuito que as autoridades apertaram o cerco, através de algumas operações conjuntas da Polícia da República de Moçambique (PRM), Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e técnicos da Inspecção de Recursos Minerais e Energia, que resultaram na apreensão de perto de dois mil litros de combustível.
Assim sendo, a ofensiva alterou a lógica do mercado, pois os vendedores informais foram desaparecendo das ruas e a procura deixou de ser alimentada por quem comprava combustível não apenas para consumo, mas também para fazer negócio.
A mudança é particularmente evidente para os automobilistas, porque abastecer deixou de significar, necessariamente, reservar horas do dia para enfrentar uma fila, percorrer várias bombas à procura de produto ou recorrer a um vendedor informal.
Para Luís Xavier, automobilista ouvido pelo Wamphula-Fax, a diferença é significativa, sobretudo pelo tempo que deixou de perder nas filas.
“Antes, quando se ouvia que havia combustível numa bomba, era preciso correr para lá e preparar-se para ficar horas na fila. Hoje, a situação mudou bastante. Já não vemos aquelas pessoas a comprar grandes quantidades nas bombas para depois vender na rua a preços elevados” – disse.
Nampula chega, assim, aos quatro meses de uma crise que não desapareceu por completo, mas mudou de natureza. A disponibilidade ainda não é uniforme, porém a corrida ao combustível e o mercado informal que se alimentava dela já não têm a expressão de antes.
