Formados trocam diplomas por martelos em Nampula

Formados trocam diplomas por martelos em Nampula

Alguns jovens recém-formados estão a recorrer a actividades informais para garantir o próprio sustento e o das suas famílias, devido à escassez de oportunidades de emprego no mercado laboral. Entre as alternativas encontradas está a produção de rachão e brita destinadas à construção de casas, na zona da pedreira, no bairro de Natikiri, cidade de Nampula.

Para estes jovens, a falta de emprego, mesmo depois da conclusão do ensino médio, secundário e superior, obrigou-os a abandonar a espera por uma colocação no sector formal e a procurar formas imediatas de sobrevivência.

Ângelo Augusto é um dos jovens que decidiu apostar no trabalho de partir pedras. Formado na área de Medicina Geral pelo Instituto Politécnico Boa Esperança, conta que exerce esta actividade há cerca de quatro anos, depois de concluir a sua formação superior sem conseguir uma oportunidade de emprego na sua área.

“Terminei a faculdade de Medicina, mas até este momento continuo desempregado. Como precisava de sustentar a minha família, decidi procurar uma alternativa e encontrei nesta actividade uma forma honesta de garantir o nosso sustento”, disse.

Segundo Ângelo Augusto, o trabalho pode ser duro e exige esforço físico, mas representa uma oportunidade de gerar rendimento numa altura em que muitos jovens enfrentam dificuldades para conseguir emprego.

Outro jovem com quem conversámos chama-se Armando Artur, que também encontrou na produção e comercialização de pedras uma alternativa para enfrentar o desemprego.

Armando conta que procurou emprego em diferentes instituições e sectores, entre públicos e privados, mas não conseguiu uma oportunidade, obrigando-o a procurar uma actividade que lhe permitisse obter algum rendimento.

“Bati a várias portas à procura de emprego, mas nenhuma oportunidade apareceu. Então percebi que não podia ficar apenas à espera. Em vez de enveredar por práticas criminosas, decidi procurar uma actividade honesta para sustentar a minha família”, frisou.

Os jovens defendem que, apesar das dificuldades, o trabalho de partir pedras é uma alternativa para muitas pessoas que enfrentam o desemprego.

Para esta camada juvenil, a ausência de emprego formal não deve significar dependência ou desistência, daí que defendem que os jovens devem procurar diferentes formas de gerar rendimento, apostando no empreendedorismo e em actividades produtivas.

“Não devemos ter vergonha de trabalhar. O importante é procurar uma actividade honesta que permita alimentar a família e melhorar as condições de vida”, afirmaram.

Com os rendimentos obtidos através da produção e venda de rachão, alguns destes jovens afirmam já ter conseguido construir as suas próprias casas, garantir alimentação e outras necessidades das suas famílias.

“Os rendimentos dependem dos dias. Às vezes conseguimos 1.600 meticais na venda de duas grades de pedra, há vezes em que não conseguimos nada todo dia, mas não arregaçamos as mangas”, disseram.

Contudo, os nossos interlocutores aconselham outros jovens a apostar na actividade, por forma a fazer face ao desemprego juvenil.