Nampula defende mineração voltada ao desenvolvimento local

Nampula defende mineração voltada ao desenvolvimento local

O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, defende que a exploração dos recursos minerais no país deve traduzir-se em desenvolvimento económico e melhoria das condições de vida das comunidades abrangidas pelos projectos mineiros.

Abdula manifestou esta posição durante a Conferência Nacional sobre a Governação e a Agregação de Valor aos Minerais Estratégicos, que decorre em Nampula, desde ontem, onde questionou a eficácia do actual modelo de exploração mineira no país.

Segundo o governante, o sucesso do sector não deve ser avaliado apenas pelo volume de minérios extraídos ou exportados, mas também pelo impacto da actividade na vida das populações locais.

Para a fonte, o desenvolvimento nas zonas de exploração mineira deve reflectir-se na criação de postos de trabalho qualificados para os jovens, na formação profissional, na melhoria das infra-estruturas e na abertura de oportunidades de negócio para as empresas nacionais.

“Não basta exportar recursos e celebrar o volume de vendas, mas sim é preciso garantir que a riqueza extraída do solo se reflicta na qualidade de vida das famílias, permitindo-lhes sustento e dignidade”, afirmou.

O governador criticou igualmente o que considera ser uma abordagem assistencialista de algumas empresas mineiras, que se limitam a conceder apoios pontuais às comunidades, em vez de promover investimentos estruturantes capazes de responder às necessidades locais.

Como exemplo, apontou situações em que a compensação às populações se resume à distribuição de produtos alimentares, como farinha de trigo, quando poderiam ser priorizados investimentos em infra-estruturas, nomeadamente estradas para facilitar o escoamento da produção agrícola.

“Se temos mineração, devemos questionar quais empresas podem surgir em torno desta actividade para dinamizar a economia local”, defendeu.

No âmbito da agregação de valor aos recursos minerais, Abdula defendeu que a exploração mineira deve servir de catalisador para a industrialização do país, através do estabelecimento de parcerias entre as empresas âncora e os fornecedores nacionais.

O governante apontou ainda a necessidade de as empresas priorizarem a contratação de mão de obra local e estabelecerem relações de cooperação com instituições de ensino, com vista à formação de técnicos capazes de responder às exigências do sector.

Por outro lado, destacou a importância de reforçar a participação das Assembleias Provinciais e das comunidades na fiscalização e nos processos de tomada de decisão relacionados com os projectos mineiros, desde a sua fase inicial.

Segundo explicou, as populações não devem ser chamadas a participar apenas quando surgem conflitos, mas devem estar envolvidas desde o início dos empreendimentos.

Por fim, o governador recordou que os recursos minerais são finitos e que, por isso, a actividade mineira deve deixar benefícios duradouros para as gerações futuras.

“Quando as minas se esgotarem, o que importará não é o que foi extraído, mas o que restou de legado, como estradas construídas, jovens formados e um tecido empresarial moçambicano robusto”, concluiu.