Os adolescentes e jovens da província de Nampula defendem maior participação nas decisões relacionadas com os seus direitos e na prevenção dos casamentos prematuros, abusos, exploração e violência baseada no género.
A posição foi apresentada durante uma formação realizada no último fim-de-semana, na cidade de Nampula, que reuniu membros das plataformas juvenis dos distritos de Nampula e Rapale.
O presidente da Plataforma de Participação dos Adolescentes e Jovens de Nampula, Gilberto Jamal, afirmou que o reforço das capacidades de liderança, gestão e comunicação é fundamental para que os jovens apresentem as suas preocupações e participem na procura de soluções para os problemas que afectam as suas vidas.
Segundo Jamal, a formação, promovida pela UNICEF e pela Rádio Moçambique, pretende melhorar a capacidade de intervenção dos membros das plataformas nas comunidades e nos espaços de decisão sobre os direitos da criança.
“Esta é uma oportunidade para amplificarmos a voz das crianças e dos adolescentes, porque representamos muitas crianças que precisam de ser ouvidas”, afirmou.
Por sua vez, o oficial de Educação e representante do chefe do escritório da UNICEF em Nampula, Arlindo Hugo, defendeu que os adultos devem criar condições para que os adolescentes participem directamente nas discussões, em vez de falarem em seu nome.
“Não estamos reunidos para falar sobre os adolescentes, mas para trabalhar com eles. Para falar com eles”, declarou, sublinhando que a participação juvenil constitui um direito, e não um benefício concedido pelos adultos.
A fonte recordou que o artigo 12 da Convenção sobre os Direitos da Criança reconhece o direito das crianças expressarem livremente as suas opiniões sobre os assuntos que lhes dizem respeito, cabendo aos adultos ouvi-las e considerar as suas posições nos processos de decisão.
“O nosso papel não é falar pelos adolescentes, é criar o espaço para que falem por si próprios”, afirmou.
A UNICEF reiterou o compromisso de apoiar iniciativas que permitam aos adolescentes expressar as suas opiniões, apresentar preocupações e participar nas discussões sobre os seus direitos e bem-estar.
